- Após dez anos do brexit, pesquisa YouGov indica que 56% dos britânicos consideram a medida um erro, enquanto 31% apoiam o resultado do referendo de 2016 (51,9% votaram a favor).
- Empresas enfrentam impactos, com exemplos de subsidiárias abertas na Polônia e na Alemanha para manter exportações.
- Estudo de economistas de Stanford aponta renda per capita abaixo da média entre países parecidos; sem brexit, a renda teria sido about 8% maior nos últimos dez anos.
- O debate sobre possível retorno à União Europeia ganha fôlego, com as disputas entre trabalhistas e a esquerda defendendo aproximação e a extrema direita recebendo impulso.
- A economia britânica passa a depender menos de fundos europeus de defesa, o que reforça críticas à posição do Reino Unido; imigração muda, com menos viajando pela Europa e mais vindo da Ásia.
O Brexit completa 10 anos e, mesmo assim, continua a provocar divisões no Reino Unido. Dados de junho de 2024 mostram que 56% dos eleitores consideram o movimento um erro, frente a 31% que apoiam a decisão de 2016. O país vive a chamada crise de legitimidade.
A discussão voltou a ganhar espaço no topo do cenário político. Keir Starmer, então líder trabalhista, avisou em 2024 que o debate sobre a relação com a UE geraria tumulto, e hoje a pressão por uma aproximação reaparece com força entre eleitores e parlamentares.
Entre as consequências apontadas estão perdas econômicas e ajustes empresariais. Empresas passaram a abrir subsidiárias em outros países europeus para manter exportações, especialmente em setores industriais. O tema polariza que votou pela saída e quem não.
Um estudo da Universidade Stanford compara renda per capita do Reino Unido com pares semelhantes. A conclusão aponta estagnação econômica pós-pandemia e um ganho hipotético de 8% na renda sem o Brexit, nos últimos dez anos.
Outras evidências apontam que a Europa consolidou investimentos em defesa, ao passo que o Reino Unido ficou sem parte desse fluxo, prejudicando setores estratégicos. A indústria de defesa britânica segue com maior necessidade de recursos próprios.
A composição do eleitorado do Brexit também mudou. Trabalhadores de fábrica, agricultores e pequenos empresários, que formaram o núcleo de apoio, passaram a tensionar alianças com a extrema direita de Nigel Farage e com setores de esquerda, que defendem aproximação com a UE.
Analistas ressaltam ainda que o Serviço Nacional de Saúde depende cada vez mais de profissionais não europeus, o que alimenta debates sobre imigração e impacto social. A mudança na origem dos trabalhadores da saúde é citada como elemento de tensão política.
Em meio ao cenário, lideranças como Farage defendem manter o brexit, enquanto figuras trabalhistas, como Andy Burnham, defendem maior aproximação com a UE. Economistas divergentes sinalizam que o Reino Unido tende a permanecer à margem da UE no curto prazo.
Mudanças no cenário político e econômico
O tempo decorrido desde o Brexit não trouxe os resultados prometidos por seus defensores. Pesquisadores destacam que, sem a ruptura, a renda per capita britânica poderia ter tido desempenho melhor nos últimos anos. Assinam a leitura de que o impacto foi mais profundo que o esperado.
As relações com Bruxelas permanecem centrais no debate público. Alguns especialistas apontam que a geopolítica recente dificultou reaproximações, com prioridades europeias voltadas a defesa e cooperação econômica. O Reino Unido enfrenta, portanto, um dilema de inserção internacional.
A frente política europeia, com propostas de reaproximação, divide opiniões entre eleitores, empresários e especialistas. O tema segue sem resolução clara, mantendo o país em uma posição de negociação e ajuste contínuos.
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