- EUA afirmam que o Irã concordou com inspeções nucleares permanentes; Teerã nega acordo e diz que a AIEA não poderá inspecionar instalações específicas.
- Trump disse que suspender o bloqueio naval no estreito de Hormuz dependeu da aceitação das vistorias; Irã afirma que não há protocolo de inspeção vigente e que seguirá suas obrigações do Tratado de Não Proliferação Nuclear.
- O vice-presidente dos EUA havia dito que o Irã concordara com inspeções; o Irã contesta essa versão.
- Como parte das negociações, Washington prometeu liberar US$ 12 bilhões em recursos congelados ao Irã, mantidos em conta de custódia, para compra de alimentos e suprimentos médicos.
- O estreito de Hormuz continua disputado: registro de tráfego elevado com trinta e cinco navios na véspera; Irã e Omã criam grupo de trabalho para negociar futura administração da navegação, sem pedágio segundo Omã.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira que o Irã concordou em permitir inspeções nucleares permanentes, mas Teerã negou a existência de qualquer acordo nesse sentido. A declaração alimenta divergências sobre o andamento das negociações para encerrar o conflito no Oriente Médio.
Trump informou, em rede social, que o Irã aceitou a entrada de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica por um longo período no futuro. O líder americano alegou que a medida foi condicionante para continuar as negociações e retirar bloqueios navais no estreito de Hormuz.
Enquanto isso, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã disse que a AIEA não tem autorização para inspecionar instalações nucleares bombardeadas anteriormente pelo país, defendendo que o Irã manterá seus compromissos atuais como signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear.
Na véspera, o vice-presidente dos Estados Unidos havia informado que o Irã teria aceitado a presença de inspetores nucleares, sinalizando uma leitura favorável às negociações em curso na Suíça. As divergências entre Washington e Teerã persistem quanto aos termos do acordo.
A AIEA tem reiterado a falta de acesso pleno às instalações iranianas desde ataques anteriores, o que complica a avaliação independente do programa nuclear. Analistas destacam que o tema continua central para a estabilidade regional.
Esclarecimentos sobre o cenário
O Irã reiterou que não há protocolo de inspeção para determinadas instalações e que manterá a conformidade com o tratado nuclear. Observadores ressaltam que a controvérsia envolve fiscalização, timeline e condições de negociações futuras.
Paralelamente, a região tem registrado movimentação marítima relevante. 35 navios transportadores de commodities passaram pelo estreito de Hormuz em um único dia, recorde desde o início do conflito, segundo monitoramento de transporte marítimo.
O Irã e Omã anunciaram ainda, em declaração conjunta, direitos soberanos sobre suas águas e a criação de um grupo de trabalho para gerir a navegação futura no estreito, com políticas de serviço e custos alinhadas a normas internacionais. Omã não prevê cobrança de pedágio.
Nos EUA, o governo anunciou a liberação de 12 bilhões de dólares congelados ao Irã, sob condição de uso para compras humanitárias. O montante ficaria sob custódia americana, com regras para aquisição de alimentos e insumos dos EUA.
O acordo também prevê suspensão temporária de sanções sobre o petróleo iraniano, conforme apurado pela imprensa estatal iraniana. O uso dos recursos continua sob controvérsia entre Teerã e Washington.
O embaixador iraniano na ONU afirmou que apenas o Irã pode decidir sobre a aplicação dos recursos, destacando autonomia nessa decisão. A próxima etapa envolve novos encontros com participação de representantes regionais para tratar de Hormuz.
Perspectivas e próximos passos
Após as negociações na Suíça, representantes norte-americanos seguem em deslocamento pela região para discutir o andamento do acordo com o Irã e a situação no estreito de Hormuz. O tema permanece em centro de atenção mundial pela importância estratégica da rota.
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