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Itamaraty ajudou a evitar atentado contra príncipe do Japão no Brasil em 1978

Documentos desclassificados apontam que o Itamaraty coordenou vigilância e troca de informações com o Japão para evitar possível atentado do Exército Vermelho Japonês contra o príncipe Akihito em 1978

Imagem colorida mostra o príncipe do Japão Akihito - Metrópoles
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  • Em 1978, o Itamaraty colaborou com o governo japonês para evitar um possível atentado do Exército Vermelho Japonês durante a visita do príncipe herdeiro Akihito ao Brasil.
  • Documentos desclassificados apontam que autoridades japonesas discutiram medidas de segurança, incluindo controle de entrada e saída de estrangeiros e uso de listas de suspeitos enviadas ao Brasil.
  • O Exército Vermelho Japonês era visto como grupo extremista de atuação internacional; o Brasil, com apoio japonês, transmitiu informações sobre vistos concedidos a japoneses na época.
  • A cooperação entre Brasil e Japão sobre o EVJ iniciou anos antes da viagem, com comunicações que chegaram a envolver prisões em São Paulo por erro de identificação, posteriormente corrigidas.
  • Não houve registro de incidentes durante a visita de Akihito ao Brasil em 1978; ele cumpriu agenda oficial em Brasília, São Paulo e Paraná, ao lado da princesa Michiko.

O Itamaraty participou de uma cooperação com autoridades japonesas para proteger a visita do então príncipe Akihito ao Brasil em 1978. Documentos desclassificados revelam um esquema de segurança e vigilância montado antes da viagem, junto a informações recebidas de embaixadas e órgãos de segurança.

O objetivo era evitar um possível atentado promovido pelo Exército Vermelho Japonês (EVJ), grupo extremista que atuava no cenário internacional e já era considerado terrorista pela comunidade global. Não há registro de incidentes durante a passagem de Akihito pelo país.

Em janeiro de 1978, o embaixador brasileiro em Tóquio informou previsões de autoridades japonesas sobre riscos à família imperial, citando a possibilidade de uso do modus operandi do EVJ para justificar um ataque. A embaixada do Japão manteve contatos com o Itamaraty e com o DOPS brasileiro para discutir medidas de segurança.

Ações de cooperação e comunicação

Durante a preparação, autoridades japonesas apresentaram literatura do EVJ e apontaram o Brasil como país potencial para atividades do grupo. Reuniões com representantes brasileiros discutiram proteção da visita e procedimentos de controle de entrada e saída de estrangeiros no Brasil.

O Itamaraty concordou em repassar à Embaixada do Japão informações sobre vistos concedidos a cidadãos japoneses entre 20 de abril e 25 de junho de 1978, período próximo ao fim da visita. A correspondência também mostrou que listas com dados de supostos integrantes do EVJ eram compartilhadas para facilitar a identificação.

Contexto histórico do EVJ

O EVJ, criado em 1971 por opositores japoneses, defendia uma revolução marxista-leninista e atuou em ações internacionais marcantes, como a invasão da Embaixada dos Estados Unidos na Malásia em 1975 e o Massacre do Aeroporto de Lod, em 1972, em Israel. O grupo foi dissolvido formalmente em 2001.

Correspondências entre Brasil e Japão indicam que, desde 1974, diplomatas trocavam informações sobre atividades do EVJ em diferentes países. Em 1975, o Brasil chegou a prender erroneamente Tetsuo Kinoshita, listado por informações japonesas como suposto integrante, mas a embaixada japonesa reconheceu posteriormente que ele não participava de atos terroristas.

Apesar da cooperação, não houve registro de incidentes envolvendo a visita de Akihito ao Brasil, que ocorreu no contexto de celebrações ligadas à imigração japonesa no país. Akihito esteve com a esposa Michiko em Brasília, São Paulo e Paraná, antes de tornar-se imperador em 1989 e abdicar em 2019.

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