- Putin reconheceu, em discurso a cadetes, o impacto dos ataques de drones ucranianos na Rússia, dizendo que visam desestabilizar a sociedade e criar incertezas sobre as Forças Armadas.
- Mantendo tom otimista, o presidente disse que há progresso no cenário na Ucrânia, país do qual a Rússia controla cerca de 20% do território.
- Nesta terça, três pessoas morreram em Krivii Rih, cidade natal do presidente ucraniano, em meio aos ataques russos contra civis.
- A escalada tem como foco o sistema energético russo, com falta de gasolina e racionamento em regiões distantes, além de medidas na Crimeia para restringir atividades noturnas.
- Há apreensão entre a elite do Kremlin de que os generais convençam Putin a usar arma nuclear tática ou des lançar uma ação contra um Estado Báltico para levar a crise à Otan, segundo relatos à imprensa.
O presidente Vladimir Putin reconheceu nesta terça-feira (23) o impacto dos ataques com drones ucranianos contra a Rússia, afirmando que Kiev busca desestabilizar a sociedade e criar incertezas sobre as Forças Armadas. O pronunciamento ocorreu durante evento com cadetes em a sede do governo.
Apesar de admitir o efeito dos ataques, Putin manteve tom otimista sobre o andamento do conflito na Ucrânia, país que invadiu em 2022 e do qual a Rússia controla parte do território. Não detalhou as estratégias militares, mas ressaltou avanços no campo de batalha.
Nas últimas ações, três civis morreram em Krivii Rih, cidade natal do presidente ucraniano, segundo relatos locais. A ofensiva de Kiev tem ampliado ataques contra alvos distantes, incluindo infraestruturas energéticas. O objetivo é pressionar Moscou sem envolver diretamente tropas terrestres.
Impactos energéticos e desdobramentos econômicos
Relatórios de consultorias apontam queda na produção de refinarias russas e exportação de petróleo entre maio e junho, de 25% e 15%, respectivamente. O governo discutiu, em reunião, a importação de derivados para evitar desabastecimento.
Regiões remotas enfrentam falta de gasolina e racionamento. Em Khabarovsk, no Extremo Oriente, o desabastecimento é mais evidente, enquanto na Crimeia, alvo de ataques, o transporte público tem horários restritos e estabelecimentos devem encerrar cedo.
Cenário estratégico e temores na elite
Nesta terça, Kiev afirmou ter atingido uma ponte ferroviária ligando Kherson à Crimeia, o que pode afetar a ligação terrestre entre a península e a Rússia. O tema é sensível para Moscou, que já depende de rotas contínuas para manter mobilização.
A tensão aumenta entre a elite governante e o alto comando militar. Parte das autoridades teme que, diante de dificuldades operacionais, seja considerada a utilização de armas nucleares táticas contra a Ucrânia, o que poderia desencadear crise global.
Outra hipótese discutida envolve ações contra Estados bálticos para provocar a escalada da Otan, em um momento de incerteza política internacional, com impacto direto na postura russa e nas alianças militares da região.
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