- Relatório da Interpol aponta que mais de oitenta nacionalidades foram vítimas de tráfico humano para golpes financeiros até 2025, com fraudes cada vez mais sofisticadas.
- Centros de golpe, que antes atuavam no Sudeste Asiático, já são identificados no Oriente Médio, África e América Central.
- No Brasil, dados de 2024 indicam 35 casos de trabalho análogo à escravidão em plataformas digitais de aposta; outros cinco casos com o mesmo perfil também foram registrados, com destinos no Sudeste Asiático e na Nigéria.
- Em 2026, o Ministério Público Federal abriu três denúncias por tráfico internacional, com nove denunciados; 161 procedimentos judiciais relacionados a inquéritos e ações penais, dos quais 81 tratam de tráfico internacional e 80 de contrabando de migrantes.
- Casos como o de Phelipe Ferreira mostram recrutamento pela internet, trabalho forçado em centrais de golpes e violência, com a vítima mantendo liberdade restrita e dívidas para passagem e moradia.
O relatório da Interpol aponta que redes criminosas recorrem ao tráfico humano para operar golpes financeiros, envolvendo pessoas de mais de 80 nacionalidades em 2025. A organização considera essas fraudes cada vez mais sofisticadas e ligadas ao tráfico de pessoas como uma ameaça global.
Em 2025, a Interpol destacou que centros de golpes migraram de foco inicial no Sudeste Asiático para regiões como Oriente Médio, África e América Central. Trata-se de fraude financeira aplicada por pessoas recrutadas sob coerção, representação enganosa e restrição de liberdade.
No Brasil, dados do Ministério da Justiça apontam que, em 2024, a maior parte dos casos de tráfico internacional foi para trabalho análogo à escravidão, com 35 ocorrências ligadas a plataformas de aposta online. Outros cinco casos envolveram exploração similar na Nigéria, na África.
Panorama internacional
O MPF informou, em 2026, três denúncias por tráfico humano internacional, com nove pessoas denunciadas, e 161 procedimentos judiciais ligados a inquéritos ou ações penais. Entre os casos, 81 envolvem tráfico internacional de pessoas e 80 tratam de contrabando de migrantes, com 151 processos em tramitação.
A procuradora Stella Scampini explica que o tráfico para golpes virtuais já é observado em toda a América Latina, com recrutamento via redes sociais ou por conhecidos. Ao chegar ao destino, muitas vítimas enfrentam condições de trabalho degradantes, com documentos retidos, servidão por dívida e restrição de contato com familiares.
Segundo a autoridade, há evidências de aumento recente do tráfico para golpes virtuais no Sudeste Asiático, mas surgem casos também na África e na América do Sul. A tendência é de expansão para novos focos, com investigações em andamento.
Caso de Phelipe
A vítima brasileira citada no material é Phelipe Ferreira, 27 anos, resgatado em Mianmar após dois meses de coerção para atuar em centrais de golpes online. Ele relata jornadas de até 17 horas diárias, ameaças físicas e restrição de contato com a família, além de forçar golpes conhecidos como abate do porco e catfish.
Ao retornar ao Brasil, Phelipe busca reconstruir a vida e planeja retomar os estudos. Hoje trabalha como garçom em um restaurante vegano. Ele também ressalta a importância de não confiar cegamente em propostas que possam esconder exploração.
Exige-se cautela na identificação de redes
Cintia Meireles, da The Exodus Brasil, afirma que jovens são alvos comuns, recebendo propostas falsas para trabalhar com marketing ou tecnologia. A organização atuou no resgate de Phelipe e enfatiza a vulnerabilidade econômica e emocional que facilita o recrutamento.
Desafios de combate
A subnotificação é apontada como um grande entrave no enfrentamento do tráfico para golpes virtuais. Médias de medo, intimidação e receio de retaliação dificultam a cooperação com investigações. A atuação criminosa costuma estar ligada a corrupção e a outros crimes.
Disque Direitos Humanos e 180
Brasil: denúncias sobre tráfico de pessoas podem ser feitas pelo Disque Direitos Humanos (Disque 100) ou pela Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180). Também há a opção de registrar ocorrências no Serviço de Repressão ao Tráfico de Pessoas da Polícia Federal, por meio de e-mail institucional. Exterior: buscar assistência consular.
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