- A Rússia estuda veto total à exportação de diesel, o que pode afetar o Brasil, seu principal fornecedor internacional do derivado.
- Ataques ucranianos a refinarias russas reduziram a produção de derivados e geraram desabastecimento em várias regiões do país.
- Em maio, o diesel vindo da Rússia respondeu por quase 75% dos desembarques no Brasil, com os Estados Unidos em segundo lugar.
- No Brasil, a Petrobras responde por cerca de 70% do diesel consumido, com o restante vindo de fora.
- Além de possíveis tarifas de exportação, a Rússia avalia medidas para estabilizar os preços no mercado interno diante da queda de produção causada pelos ataques.
O governo russo avalia um veto total à exportação de diesel, medida que pode impactar diretamente o Brasil, principal fornecedor internacional do derivado. A informação foi divulgada nesta terça-feira (23) pelo vice-primeiro-ministro Alexander Novak, responsável pelo setor energético. A justificativa é promover a estabilização de preços no mercado interno russo.
A avaliação ocorre em meio a ataques ucranianos a refinarias russas, que vêm reduzindo a produção de derivados e gerando desabastecimento no país de Putin. A queda de produção de combustíveis recai sobre as refinarias, com impactos reportados já no início deste mês.
Quase 75% do diesel desembarcado pelo Brasil em maio teve origem na Rússia, segundo dados de consultorias especializadas. Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar, bem atrás. O Brasil depende do diesel para movimentar a logística e o comércio, com a Petrobras respondendo por cerca de 70% do abastecimento nacional.
A política brasileira de importação aumenta desde o início da guerra na Ucrânia, quando Moscou passou a vender diesel com descontos para contornar sanções. O diesel russo tornou-se parte expressiva da pauta de importação brasileira, mesmo com a queda de produção na Rússia.
No cenário brasileiro, a região rodoviária permanece como a principal demanda por diesel, elevando a importância do fornecimento estável. Em maio, a Rússia consolidou a liderança entre os supridores, influenciando preços e disponibilidade no mercado interno.
Possíveis impactos no Brasil
Segundo Novak, além de medidas de veto, o governo russo pode aplicar tarifas adicionais sobre exportações, elevando custos para compradores estrangeiros, inclusive o Brasil. A eventual mudança tende a pressionar o custo logístico e o preço final do combustível no país.
A depender da decisão, o Brasil pode buscar alternativas de importação, reduzir o consumo ou ajustar contratos com fornecedores. Fontes especializadas indicam que o fluxo de diesel russo responde por parcela relevante da oferta brasileira, especialmente em momentos de instabilidade na região.
Putin e autoridades russas destacam que ataques ucranianos têm prejudicado a disponibilidade de energia, ampliando tensões e impactos na oferta de diesel. Em paralelo, a Rússia enfrenta danos a terminais e atrasos na recuperação de refinarias, o que agrava a situação de abastecimento.
O cenário, que já impacta os preços e a logística no Brasil, retorna a atenção para como o país irá gerenciar sua matriz de importação de diesel nos próximos meses, diante de possíveis mudanças nas políticas de exportação russas.
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