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Alexandra Loras aponta racismo além da dimensão econômica

A consulesa francesa Alexandra Loras afirma que racismo no Brasil é estrutural, não apenas econômico, afetando representatividade e oportunidades

A candidata Sandra Torres lidera as pesquisas para as eleições presidenciais deste domingo (25), na Guatemala (Crédito
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  • Alexandra Loras, francesa nascida em Paris, é consulesa da França no Brasil e relata racismo vivido no país, diferente do visto na europeia.
  • Ela destaca que, ao chegar ao Brasil, esperava menos racismo por haver miscigenação, mas percebeu que ele permanece mesmo em espaços de poder.
  • Segundo a consulesa, ocorre micro-humilhação e segregação “sofisticada”, e o racismo transitando pelo corpo de pessoas negras, mesmo com sucesso profissional.
  • Ela afirma que menos de 1% dos espaços de poder—congressos, empresas e mídia—são ocupados por negros, contrariando a imagem de um Brasil supostamente miscigenado.
  • Para ampliar a visibilidade de mulheres negras, criou o Instituto do Protagonismo Feminino e apoiou o projeto Black Sisters In Law, que reúne mais de 800 advogadas negras.

Alexandra Loras, consulesa da França no Brasil, reflete sobre a persistência do racismo no país que escolheu como lar. Em memória de sua experiência, ela aponta que o problema racial vai além de questões econômicas e se manifesta também no cotidiano.

A francesa nasceu em Paris, em uma família branca, e chegou ao Brasil acompanhada do marido, Damien Loras. Logo percebeu a ausência de representatividade de pessoas negras em espaços de poder, especialmente dentro do ambiente corporativo e institucional que frequenta.

Ao percorrer recepções corporativas, Alexandra observa micro-humilhações que insistem em impor estereótipos. Ela afirma que o racismo se ancora no corpo e na estrutura social, mesmo em um país conhecido pela mistura racial e pela celebração do Carnaval e do futebol.

Em seus relatos, a consulesa destaca a ideia de que a visão de um Brasil plenamente miscigenado é ilusória. Segundo ela, ainda há menos de 1% de pessoas negras em espaços de decisão, como congressos, grandes empresas e mídia, o que contrasta com a percepção de representatividade que o país projeta.

Para ampliar a participação de mulheres negras, Alexandra fundou o Instituto do Protagonismo Feminino, com atuação entre a periferia de São Paulo e o mercado corporativo. O projeto oferece acolhimento, capacitação e orientação de carreira. Outra iniciativa mencionada é o projeto Black Sisters In Law, que reúne advogadas negras de várias regiões do mundo.

Ela ressalta que a diversidade é estratégica para o sucesso organizacional, defendendo que equipes com diferentes origens promovem decisões mais ricas. Em seu foco de consultoria, a presença de lideranças negras e mulheres é vista como elemento crucial para o crescimento de empresas.

— O racismo é estrutural a ponto de dificultar a inclusão de profissionais negros recém-formados, mesmo com qualificação — afirma Alexandra, destacando a necessidade de mudanças sistêmicas para ampliar oportunidades.

Mudanças e impacto

  • As iniciativas criadas por Alexandra buscam ampliar a representatividade feminina negra em setores estratégicos.
  • A percepção de miscigenação não substitui a realidade de baixa presença de pessoas negras em cargos de poder.
  • A atuação internacional da brasileira reforça a discussão sobre inclusão em empresas multinacionais.

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