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Luta legal por salário igual para trabalhadores com deficiência na Alemanha

Caso na Alemanha pode reconhecer status de empregado a trabalhadores de oficinas para pessoas com deficiência, assegurando salário mínimo e maior transição para o mercado aberto

Special workshops for disabled people employ 300,000 people in Germany
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  • Um caso na Alemanha questiona se trabalhadores com deficiências em oficinas protegidas devem receber o salário mínimo, como os demais empregados.
  • O processo envolve Jürgen Linnemann, 57 anos, que passou a vida trabalhando em uma “Werkstatt für behinderte Menschen” (oficina protegida).
  • Cerca de 300 mil pessoas com deficiência trabalham nessas oficinas no país, ganhando menos que o mínimo legal por não serem consideradas funcionários.
  • O caso aponta para incentivos econômicos que incentivam as empresas a manterem o pagamento via compensação em vez de contratar no mercado, dificultando a transição para empregos comuns.
  • O próximo julgamento ocorre em Münster em setembro, com decisão prevista para cerca de um ano e participação da Gesellschaft für Freiheitsrechte (Sociedade pelos Direitos Civis).

O caso paya o piso da remuneração de trabalhadores com deficiência em Alemanha. Um processo judicial pode afetar centenas de milhares de pessoas que hoje recebem menos que o salário mínimo, trabalhando em oficinas protegidas.

A ação foi promovida em nome de Jürgen Linnemann, 57 anos, que passou a vida profissional em uma Werkstatt für behinderte Menschen, ou seja, uma oficina protegida. Cerca de 300 mil pessoas nessa situação trabalham na Alemanha.

As oficinas produzem itens para empresas, inclusive com marcas conhecidas mundialmente. Mesmo assim, quem trabalha nelas recebe menos que o salário mínimo vigente para o restante da economia.

No sistema atual, trabalhadores de oficinas não são considerados empregados, o que exclui direito ao salário mínimo e a participação em sindicatos. Linnemann busca que sejam reconhecidos como empregados e recebam o piso legal.

A defesa sustenta que o modelo protegido existe há anos e funciona com incentivos econômicos para as empresas, que precisam cumprir cotas de inclusão. Caso não cumpram, pagam compensação a um fundo central.

Dados de incentivos indicam que grandes empresas devem contratar pessoas com deficiência e, se terceirizam a produção para oficinas, o pagamento de compensação pode diminuir. A transição para empregos no mercado aberto é baixa.

Segundo a ONU, há críticas à taxa de transição de oficinas para empregos no mercado regular, com números que sugerem alto número de trabalhadores nas oficinas e baixa passagem para o setor comum.

Nem todos veem o sistema com desvantagens. Medina Arnaut, 35 anos, trabalha numa oficina gerida pela Caritas em Paderborn e atua como presidente do conselho local, defendendo a permanência de ambientes de trabalho adequados.

Karla Bredenbals, administradora das oficinas da Caritas em Paderborn, admite que as chances de transição são pequenas por problemas como acessibilidade e transporte público. Ela ressalva que alguns trabalhadores preferem permanecer.

O caso de Linnemann é contra oficinas operadas pela Caritas em Münster, mas pertencentes a um grupo distinto. A ação foi movida pela Gesellschaft für Freiheitsrechte, órgão de defesa dos direitos humanos com sede em Berlim.

O próximo julgamento ocorre no Münster Labour Court em setembro. A decisão só é esperada dentro de cerca de um ano, conforme o andamento do processo.

Contexto adicional aponta que a reforma do sistema envolve mudanças legais e estruturais para alinhar condições de trabalho de pessoas com deficiência ao regime de empregados com direito ao salário mínimo.

A cobertura é baseada em relatos de várias fontes que acompanhavam a história, com foco em fatos e impactos no mercado de trabalho, sem juízo de valor sobre a pertinência do modelo atual.

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