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À beira do Armagedom: por que pensadores de ponta veem possível apocalipse nuclear

Rovelli diz que o rearmamento é movido pelo medo, aumenta o risco nuclear e pede revisão de políticas, em seu livro 85 Seconds to Midnight

Duck and cover … schoolchildren practise a drill during the Cuban missile crisis.
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  • O físico teórico Carlo Rovelli defende que não é necessária uma rearme, argumentando que a Rússia não consegue invasão direta de Europa, mas possui mais de 4 mil ogivas nucleares; ele também destaca a limitação mundial na distribuição de gastos militares entre Rússia e OTAN.
  • Segundo Rovelli, o grande problema é a desconfiança mútua que alimenta um ciclo de aumento de armas, com referências a ataques indiretos e a percepção de ameaça que paira sobre o Ocidente.
  • O cientista aponta que o temor de Putin com a expansão da OTAN até a Ucrânia ajuda a explicar a agressão, citando a lógica histórica da Guerra Fria e a crise dos mísseis de Cuba como exemplo de insegurança nuclear.
  • Rovelli lembra que, no passado, ações de físicos contribuíram tanto para o risco quanto para a redução dele, citando a trajetória de Bohr, Heisenberg e o Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Start) como marco de desaceleração.
  • Com base no título de seu livro, 85 segundos para a meia-noite, ele critica a falta de coragem de líderes modernos e questiona quem, hoje, tem a responsabilidade de tornar a humanidade mais segura em vez de fortalecer apenas seus países.

Carlo Rovelli, físico teórico italiano, afirma em seu novo livro 85 Seconds to Midnight que a humanidade voltou à beira de um conflito nuclear. O autor sustenta que a principal razão não é a quantidade de armamento, mas a ausência de confiança mútua entre potências.

Ele nega que a ameaça venha apenas da Rússia, destacando que o país mantém mais de 4 mil ogivas nucleares e que, por isso, não se pode derrotar Moscou sem provocar retaliação. A ideia é discutir estratégias de desarme e não de escalada.

Rovelli aponta que a percepção de ameaça criou uma lógica de rearmamento na Europa, alimentando debates sobre sacrifícios e mobilização. Em seus argumentos, ele questiona o comportamento de líderes ocidentais diante da presença de armas estratégicas.

O autor faz uma leitura histórica para explicar o medo. Ele cita a crise dos mísseis de Cuba como exemplo de como decisões de grandes potências moldam o temor de invasões, levando a respostas que podem escalar.

Segundo Rovelli, o problema real é o medo recíproco. Ele afirma que a falta de confiança entre blocos faz com que cada lado interprete ações do outro como provocação, gerando uma espiral de militarização.

A partir dessa leitura, Rovelli critica políticas que empurram a população a aceitar novas defesas como inevitáveis. Ele recomenda priorizar diálogos e medidas de desescalada para evitar a repetição de tragédias no passado.

O físico também analisa casos contemporâneos, como o conflito no Oriente Médio, destacando que alimentam uma lógica de agressão baseada no medo. Para ele, responder ao medo com mais medo é uma rota destrutiva.

Rovelli rememora seu próprio passado na Itália, onde lutou contra o serviço militar obrigatório. Ele afirma que a memória do fascismo influencia sua visão sobre a ligação entre guerra e identidade nacional.

Ao tratar de Israel, Irã e alianças militares, o físico defende a busca por compromissos que reduzam a percepção de ameaças, em vez de ampliar a percepção de luta pela sobrevivência. A ideia é evitar a corrida armamentista.

A obra se baseia em dados históricos e na noção de que guerras superficiais surgem de narrativas de superioridade. O autor sustenta que o uso da força poderosa não garante segurança a longo prazo.

Rovelli conclui sem emitir opiniões políticas, apenas propondo uma reavaliação do papel da ciência na política de defesa. Ele incentiva líderes a buscar soluções que beneficiem toda a humanidade, não apenas o próprio país.

Contexto e implicações

A entrevista acompanha o lançamento de 85 Seconds to Midnight, que questiona a premissa de rearmamento diante de ameaças. O autor utiliza referências históricas para argumentar contra a militarização excessiva. A obra circula como aporte para debates sobre segurança global.

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