- O assessor internacional Celso Amorim diz que o governo de Donald Trump não deverá interferir diretamente nas eleições brasileiras, mas alerta para possíveis pressões econômicas.
- A designação das facções criminosas PCC e Comando Vermelho como entidades terroristas pelos EUA aumenta o clima de tensão e pode abrir caminho para novas tarifas contra o Brasil.
- O Brasil deve agir de forma pragmática com governos de direita na América do Sul, respeitando a soberania dos países e buscando cooperação multilateral.
- Amorim defende proteger as reservas brasileiras de minerais críticos, em especial terras raras, comparando a proteção a reservas de petróleo e destacando a importância de não depender de influências estrangeiras.
- Há preocupação com o uso de pretextos para intervenção e a necessidade de regulação de big techs para evitar interferência na política.
Acordo diplomático entre Brasil e Estados Unidos volta a ganhar importância em meio a tensões entre Brasília e Washington. Celso Amorim, assessor especial de Lula para assuntos internacionais, afirma que tentativas de intervenção externa no processo eleitoral brasileiro podem ter efeito contrário, defendendo atuação pragmática do Brasil na região.
Amorim avalia que, apesar das recentes medidas dos EUA — como a designação de facções criminosas brasileiras como terroristas e a possibilidade de novas tarifas — não deve haver interferência direta nas eleições. Ele ressalta a importância de ficar atento a pressões econômicas que possam emergir de interesses diversos.
Segundo o embaixador, as relações entre Brasil e EUA vivem um momento de mudança, com reaproximação iniciada em 2025, mas sujeita a oscilações. Ele sustenta que o Brasil busca cooperação em igualdade jurídica, evitando que interesses econômicos interfiram na soberania nacional.
Visão sobre EUA e eleições
Em entrevista concedida à BBC News Brasil, Amorim diz que a possibilidade de intervenção é um risco real, ainda que não haja sinal de interferência direta. O embaixador reforça a necessidade de vigilância para evitar que medidas contra o crime organizado sejam usadas como pretexto para ações externas.
Para o assessor, o Brasil deve manter relações amplas e multilateralistas, valorizando mecanismos como Brics e um G20 ativo. Ele destaca que a liderança regional não é objetivo exclusivo, mas um peso natural do país devido ao seu tamanho, população e território.
Minerais críticos e soberania
Amorim enfatiza a proteção das reservas de minerais estratégicos, comparando a defesa dessas recursos à proteção do petróleo. Ele alerta sobre riscos de venda ou domínio por governos estrangeiros, citando casos de aquisições recentes de minas brasileiras de terras raras como exemplo de vulnerabilidade.
O embaixador defende que o Brasil adote uma postura pragmática na região, buscando diversificação de parcerias e controle sobre decisões estratégicas. Ele aponta a necessidade de uma política pública que permita dizer não a exportações que comprometam capacidades nacionais.
Em relação ao desenvolvimento de minerais críticos, Amorim informa que tramita um conselho ligado à Presidência para definir o uso estratégico das terras raras. O objetivo é assegurar que o Brasil utilize esses recursos para atender às próprias necessidades, mantendo opções de exportação dentro de parâmetros de soberania.
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