- A torcida brasileira está presente ao redor do mundo, com multidões vestindo verde e amarelo em países como Bangladesh, Líbano e Índia, entre outros.
- O texto critica a ausência de uma política ativa de soft power, apontando que a cultura brasileira não é explorada de forma estratégica para exportação.
- Cita exemplos: o Ministério da Cultura não patrocinou a turnê europeia de Michel Teló, enquanto a Coreia do Sul investe fortemente no k‑pop como modelo de divulgação cultural.
- Observa que jovens de outros países continuam identificados com o Brasil e celebram a seleção, mesmo após a memória de derrotas nacionais e controvérsias políticas.
- A conclusão é que o Brasil precisa dialogar com esse público global, entender o que eles projetam e atuar na cultura e no esporte para não perder o seu trunfo internacional.
O Brasil perde uma oportunidade de consolidar seu soft power global ao não explorar o amplo potencial de sua cultura e do futebol como ativos diplomáticos. O tema reaparece em debates sobre como o país pode influenciar o cenário internacional sem recorrer a via coercitiva.
Observadores apontam que torcedores ao redor do mundo vestem verde e amarelo, celebrando a seleção em países diversos, do Líbano à Índia. Mesmo assim, a articulação de políticas culturais e esportivas não acompanha esse alcance. A crítica é de que o país não transforma esse interesse em impacto institucional.
Desde 2012, quando o sucesso do tema musical Ai Se Eu Te Pego ganhou repercussão mundial, surgem questionamentos sobre o apoio público a iniciativas de divulgação cultural. Em comparação, o governo sul-coreano investe de forma agressiva no K-pop e na produção audiovisual.
Contexto
Analistas destacam que o conceito de soft power envolve cultura, diplomacia e estilo de vida. No Brasil, a projeção de artistas, música e esportes não recebe o mesmo nível de planejamento estratégico de outros países. Abertura cultural, museus e políticas de fomento são apontados como deficiências.
Apesar de a seleção brasileira manter identificação global, especialistas afirmam que não há uma política coordenada para converter esse reconhecimento em cooperação internacional ou acordos culturais. A ausência de museus ou museus temáticos dedicados à música popular brasileira é citada como exemplo.
A diversidade de torcedores que aparecem em redes sociais demonstra o alcance entre jovens de diferentes origens. No entanto, a leitura comum é de que o Brasil precisa dialogar com esses públicos, mapeando interesses e formatos de cooperação. A estratégia seria ampliar parcerias internacionais.
Especialistas defendem que o país deve migrar do papel de exportador de atletas e artistas para ator ativo de políticas culturais. A ideia central é criar programas que conectem futebol, música e cinema a intercâmbios, feiras e museus no exterior.
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