- A Anthropic restringe o acesso ao Claude na China, mas usuários continuam encontrando formas de contornar, incluindo serviços de proxy, identidades falsas e contas já criadas vendidas em Telegram.
- Em junho, a Anthropic lançou o Fable 5, versão protegida do Mythos, porém a empresa revogou o acesso global logo depois devido a controles de exportação.
- Além de VPNs e números estrangeiros, surgem “transfer stations” (estações de retransmissão) que compram acesso à API fora da China e redistribuem tokens Claude aos usuários dentro do país.
- A demanda gerou marketplaces em Telegram e sites em português/chinês que comercializam contas Claude Pro/Max, com algumas contas passando por verificações de identidade (KYC).
- A Anthropic afirma usar detecção de identidade e redes proxy para reforçar políticas contra acesso não autorizado, enquanto líderes de pesquisa alertam para riscos de segurança e monitoramento de má atuação com a infraestrutura de estações de retransmissão.
O Anthropic intensificou as medidas para impedir o acesso de usuários na China ao Claude, seu assistente de IA. Mesmo assim, programadores, pesquisadores e entusiastas continuam encontrando saídas, desde serviços de proxy até identidades falsas compradas em Telegram. O objetivo é contornar as restrições geográficas.
Na prática, as salvaguardas da empresa nem sempre funcionam. Nos últimos 12 meses, surgiram soluções cada vez mais sofisticadas para acesso a Claude a partir da China, alimentando um mercado paralelo. Muitos usuários consideram Claude o assistant AI mais capaz do momento.
Em junho, a Anthropic disponibilizou publicamente o Fable 5, versão protegida do Mythos, sua AI mais poderosa. A repercussão nas redes chinesas foi imediata, com relatos sobre impressões após o teste. Dias depois, a empresa revogou o acesso mundial em razão de controles de exportação.
Contorno da restrição e mecanismos de contorno
Pelo menos parte do esforço para contornar as barreiras envolve VPNs, números de telefone estrangeiros e métodos de pagamento internacionais para manter contas ativas em Claude. A empresa, no entanto, tem adotado medidas mais duras, incluindo banimento de contas associadas a usuários na China.
A prática gerou um mercado subterrâneo de acessos, com contas vendidas em plataformas como Taobao e em mercados ilícitos no Telegram. Recentemente, surgiu também um ecossistema de “transfer stations”, intermediários que compram acesso à API da Anthropic fora da China e redistribuem tokens Claude para usuários no país.
Segundo Michael Aciman, porta-voz da Anthropic, a empresa utiliza mecanismos de detecção em evolução, com verificação de identidade para coibir acessos não autorizados. A companhia afirma trabalhar para detectar e interromper redes de proxies que fornecem Claude na China.
Apesar das dificuldades, Claude mantém base de usuários fiéis na China, especialmente entre programadores. Pesquisadores entrevistados pela WIRED destacam que, mesmo com modelos abertos locais, Claude e Codex costumam apresentar desempenho superior em tarefas de codificação.
Estudos independentes indicam que modelos chineses ainda ficam atrás de tecnologias norte-americanas em áreas específicas, como desenvolvimento e código. Analistas destacam que políticas e pesquisadores na China recorrem com frequência a produtos americanos, independentemente de rivalidades geopolíticas.
A Anthropic acusa empresas chinesas de distilação de modelos para treinar concorrentes. Em resposta, a empresa não oferece acesso comercial a Claude na China ou a subsidiárias externas do país, sob justificativa de segurança nacional.
Ainda assim, a demanda persiste. Para usuários casuais, as opções incluem manter proxies consistentes ou comprar contas Claude já criadas. Para usuários corporativos, surgiram as transfer stations, que prometem acesso estável a preços menores por meio de descontos corporativos.
O ecossistema também envolve plataformas de venda em Telegram e sites especializados que listam dezenas de estações de transferência, com avaliações de modelos e preços de tokens. Personalidades públicas, como o investidor Justin Sun, entraram no mercado com plataformas próprias.
O resultado é um quadro em que, mesmo com restrições rígidas, a utilização de Claude fora dos canais oficiais continua presente. No entanto, o aumento de pontos de acesso não autorizados eleva riscos de segurança, incluindo golpes e vazamento de informações.
Especialistas destacam a necessidade de monitorar atores mal-intencionados que atuam por meio da infraestrutura de transfer stations e de como mitigar impactos sobre a segurança de IA. A discussão envolve pesquisadores, governos e a própria indústria de IA.
Fontes: WIRED, com reportagem de Zeyi Yang, Louise Matsakis, e Will Knight.
Entre na conversa da comunidade