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Brasil encara encruzilhada na política de fertilizantes

Petrobras retoma a UFN-III para ampliar autossuficiência em ureia, mas custo do gás e transição para amônia verde desafiam competitividade e segurança alimentar

Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III, em Três Lagoas (MS), cuja obra, parada em 2014, será retomada pela Petrobras
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  • Petrobras retomou as obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III, em Três Lagoas (MS), com o objetivo de entregar entre o fim de 2028 e início de 2029.
  • A planta tem capacidade nominal de 3.600 toneladas por dia de ureia e 2.200 toneladas por dia de amônia, e foi iniciada em 2011, com interrupção em 2014, e investimento superior a R$ 5 bilhões.
  • A meta é fornecer até 15% da demanda nacional de ureia, reduzindo a dependência de importações, que hoje corresponde a cerca de 80% do consumo.
  • O cenário envolve custos de gás natural elevados no Brasil, o que dificulta a competitividade da ureia produzida nacionalmente frente a importações e exige subsidiações ou preços de gás mais baixos.
  • Especialistas destacam que a viabilidade a longo prazo depende da transição para tecnologias de baixo carbono, como amônia verde, que ainda tem custos mais altos e depende de hidrogênio verde, água e eletricidade.

Brasil enfrenta uma encruzilhada na produção de fertilizantes nitrogenados. A Petrobras retomou as obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III, em Três Lagoas (MS), interrompidas em 2014. A companhia busca elevar a autossuficiência e reduzir a dependência de importações.

A UFN-III, iniciada em 2011, tinha capacidade nominal de 3.600 toneladas por dia de ureia e 2.200 de amônia. Com investimentos superiores a 5 bilhões de reais, a expectativa é entregar a unidade entre o fim de 2028 e o início de 2029. A planta visava hoje atender 15% da demanda nacional de ureia.

O governo vê na retomada uma resposta à soberania alimentar, em contexto eleitoral. O complexo, localizado no Centro-Oeste, também é apresentado como marco da estratégia de ampliar a produção de fertilizantes no Brasil por meio de unidades próprias, alinhadas ao Plano Nacional de Fertilizantes.

Análise técnica aponta desafio central: o custo do gás natural no Brasil é elevado frente a concorrentes internacionais, o que compromete a competitividade da ureia produzida internamente sem subsídios ou preço do gás mais baixo. A depender do câmbio e das importações, o efeito pode variar conforme o mercado.

Especialistas destacam que o debate não se limita ao custo atual. A transição para tecnologias de baixo carbono, como a amônia verde produzida com hidrogênio renovável, é considerada uma alternativa de longo prazo. Contudo, o custo inicial e a maturação da tecnologia ainda representam entraves para adoção ampla nos próximos anos.

Marcelo Soto, da SCA, ressalta que o gás natural representa grande parcela do custo da ureia e estima um preço de referência para competitividade internacional. Ele aponta que, sem redução do custo energético, a produção nacional tende a depender de volatilidade de preços e de contratos de fornecimento.

A discussão sobre viabilidade econômica envolve ainda o papel de outras fontes de nitrogênio, como sulfato e nitrato de amônio, que costumam competir com a ureia. O mercado busca estabilidade de oferta, especialmente para firmar contratos anuais, o que é dificultado pela operação eventual da planta de Três Lagoas no regime de produção pontual.

O panorama tecnológico aponta que a amônia verde, alimentada por hidrogênio verde a partir de água e eletricidade, pode reduzir a dependência de gás no longo prazo. No momento, o custo e a maturidade técnica atrasam maior adoção, com projeções de ampliação a partir de 2030 a 2040.

Para o futuro, a visão é de polos nacionais de produção de fertilizantes e apoio a programas de incentivo, como o Profert, que estimula a expansão da cadeia de insumos agrícolas. A expectativa é de avanços até 2030, com presença relevante de fertilizantes verdes a partir de 2030 a 2040.

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