Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Soberania digital na ONU: impulso global por tecnologia de código aberto

Na ONU, soberania digital vira agenda prática: países avançam com open source, interoperabilidade e infraestruturas abertas para reduzir dependência de hyperscalers

Sjvn/ZDNET
0:00
Carregando...
0:00
  • No UN Open Source Week deste ano, a soberania digital ganhou agenda prática, com defesa de que open source é infraestrutura crítica e que grandes empresas americanas não devem ser a única opção.
  • Tanzania definiu o tema em termos práticos: mais de setenta por cento dos sistemas do governo utilizam tecnologias open source, baseados em marco legal recente; a ideia é migrar de consumidores passivos a criadores ativos de tecnologia.
  • Autoridades africanas, europeias e de outras regiões defenderam padrões abertos e interoperabilidade como caminho para manter controle sobre dados, infraestruturas e serviços públicos.
  • No AI, especialistas destacaram a necessidade de interoperabilidade e formatos abertos para permitir continuidade e participação global sem depender de termos de serviço de fornecedores externos.
  • Painéis sobre OSPOs (escritórios de código aberto) destacaram o papel de infraestrutura compartilhada, governança e cooperação entre setores público e privado para reduzir dependência de grandes hyperscalers.

Digital sovereignty foi o tema central da Semana Open Source da ONU, com governos e especialistas defendendo que o código aberto se tornou infraestrutura crítica. Delegações de diversos países exibiram a busca por controle de dados e de sistemas digitais, em substituição a grandes empresas americanas proprietárias.

A semana ocorreu em Nova York, durante a UN Open Source Week, onde autoridades de Alemanha, Irlanda, Marrocos, Tanzânia e outros países apresentaram propostas sobre interoperabilidade, padrões abertos e uso de software livre como caminho para soberania tecnológica. O objetivo é manter serviços essenciais estáveis, mesmo diante de mudanças de fornecedores.

Entre os pontos centrais, a soberania digital deixou de significar apenas construir infraestruturas nacionais. Passou a envolver propriedade de dados, capacidade de migrar entre plataformas sem interromper serviços e o uso de padrões abertos para evitar dependência de fornecedores únicos.

Tanzânia destacou, em discurso, a transição de clientes a criadores de tecnologia. A ministra Angellah Jasmine Kairuki explicou que mais de 90% dos sistemas governamentais já rodam com tecnologias de código aberto, em um quadro regulatório que inclui leis de proteção de dados e combate a crimes cibernéticos. O governo também afirmou ter treinado cerca de 500 servidores públicos para atuar como desenvolvedores públicos.

No campo da IA, o foco foi a interoperabilidade e a necessidade de manter o controle de dados, infraestrutura e governança. Um cientista-chefe destacou que a concentração de dados pode ampliar vieses se a governança não for acompanhada de formatos abertos, mecanismos de auditoria e opções de substituição de modelos sem interrupção de serviços.

Europa e Irlanda reforçaram a visão de soberania como escolha e resiliência dentro de um ecossistema conectado. A nova CIO irlandesa, Louise McKeever, definiu soberania digital como controle sobre infraestrutura, dados e tecnologias, integrando essa ideia à segurança nacional e à necessidade de serviços públicos amplamente disponíveis online.

Painéis sobre OSPOs, agências de tecnologia soberana e infraestrutura apontaram para a criação de estruturas que conectem políticas públicas a código aberto. A ideia é evitar dependência de voluntários e transformar o open source em infraestrutura pública estável, com governança, financiamento e cooperação entre Estados, empresas e comunidades.

Vozes da indústria reconheceram que IA aumenta dependências de hardware e energia, mas defenderam que manter as camadas de software abertas continua sendo a melhor forma de soberania tecnológica. Também houve ênfase em que governos devem manter escolhas competitivas em camadas superiores, apoiados por uma base aberta comum.

Ao final, a conferência enfatizou que soberania digital não é isolamento. O consenso reforçado é que a abertura de formatos, de engines e de orquestração facilita participação em um ecossistema global, sem subordinação a termos de serviço de terceiros.

Durante o debate, representantes dos EUA criticaram a aposta em soberania digital de outras nações, afirmando que o caminho futuro pode levar a uma “medíocre sincronização” entre planos locais. A posição foi recebida como contrária pela comunidade presente, que enfatizou o papel do código aberto na construção de soluções compartilhadas.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais