- A relação entre a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni e o presidente dos EUA, Donald Trump, que já foi próxima, ficou marcada por ataques públicos e insultos pessoais, com memes surgindo nas redes.
- Tensões entre os dois aumentaram após o governo italiano negar, sem aprovação parlamentar, aeronaves americanas com destino ao Oriente Médio utilizarem a base de Sigonella, na Sicília; Trump atacou o papa, e Meloni chamou o ataque de inaceitável.
- Em maio, houve uma tentativa de reconciliação na cúpula do G7, com Meloni dizendo que o clima foi muito positivo, mas Trump alegou que Meloni suplicou por uma foto, o que ela chamou de relato totalmente inventado; o ministro das Relações Exteriores italiano cancelou viagem a Washington.
- A crise se expandiu para a disputa sobre bases militares: a Otan e Mark Rutte falaram sobre voos de apoio aos EUA para o Irã, o que o governo italiano negou, afirmando ter autorizado apenas voos técnicos.
- Com eleições no próximo ano, o papel de Meloni no cenário internacional e a relação com Trump permanecem incertos, com próximos encontros da Otan em Ancara sendo vistos como teste de reaproximação.
O atrito público entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, ganhou novos contornos. Circulam nas redes italianas memes com IA que retratam Meloni em situações de fim de relacionamento, satirizando a tensão entre as lideranças.
Historicamente aliados próximos, Trump e Meloni viram-se distanciando-se nos últimos meses, após ataques públicos e insultos. Meloni já ocupou posição de destaque na relação com Trump, incluindo presença na posse dele e participação em reuniões na Casa Branca para lidar com tarifas.
A disputa ganhou contornos políticos variados, com críticas de ambos os lados e desdobramentos diplomáticos que alcançam a UE e a Otan. Enquanto Trump intensifica ataques, Meloni tenta manter firmeza com base eleitoral conservadora e alianças internacionais.
Disputa sobre bases militares
Na semana, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, disse que aeronaves norte-americanas teriam decolado de bases italianas para ações contra o Irã. Roma classificou a afirmação como falsa, destacando que foram autorizados apenas voos técnicos.
O Ministério da Defesa italiano reiterou que não houve autorização para operações de combate, mantendo o país dentro de acordos bilaterais. A Otan emitiu esclarecimentos posteriores, ressaltando a função de alianças em bases compartilhadas.
A crise política interna aumentou, com o governo de Meloni defendendo a neutralidade de ações militares italianas. O presidente Sergio Mattarella ligou para expressar solidariedade à premiê e evitar agravar tensões diplomáticas.
No cenário externo, crescem as perguntas sobre o alinhamento italiano entre Europa e EUA. Analistas apontam que Meloni tenta equilibrar sua posição entre aliados europeus, como Macron, e a relação com Trump, cada vez mais conflituosa.
As próximas semanas devem ser decisivas. A cúpula da Otan em Ancara, prevista para o início do próximo mês, reunirá Meloni e Trump pela primeira vez desde o G7, representando teste relevante para a continuidade de qualquer entendimento entre as duas lideranças.
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