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Desabamento de hospital em Caracas obriga famílias a levar corpos ao necrotério

Terremotos deixam necrotérios lotados na Venezuela, famílias retirando corpos; ONU estima mais de cinquenta mil desaparecidos e US$ 6,7 bilhões em danos

Pessoas recebem tratamento em hospital de campanha montado em La Guaira, na Venezuela
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  • Terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 na Venezuela deixaram pelo menos 920 mortos e mais de 50 mil desaparecidos; a ONU estima danos diretos em cerca de US$ 6,7 bilhões e mais de 6,76 milhões de pessoas afetadas.
  • O necrotério de Caracas recebe caminhonetas com corpos; famílias levam entes queridos para lá devido à falta de serviços funerários em hospitais sobrecarregados.
  • Yessica Mendoza, 43 anos, levou o corpo da filha ao necrotério ao amanhecer e pretende cremar o restante da família por estar muito deteriorado.
  • No hospital Catia la Mar, em La Guaira, houve relatos de mortos deixados no chão, em meio a unidades de saúde lotadas.
  • O regime de Delcy Rodríguez anunciou a militarização de La Guaira para ajudar na resposta à crise; oposicionistas destacam que há milhares de desaparecidos e criaram sites para registrá-los.

Uma dupla sequência de terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 atingiu a região da Venezuela na última quarta-feira (24). O desastre deixou centenas de mortos e dezenas de milhares de desaparecidos, com La Guaira, cidade vizinha de Caracas, entre as mais afetadas. As informações iniciais indicam danos generalizados em todo o país e desabamentos que complicam os trabalhos de resgate.

Na capital, Caracas, familiares enfrentam dificuldade para realizar despedidas. Casos de ausência de serviços funerários levaram famílias a transportar corpos para necrotérios em veículos particulares. Um hospital de Catia la Mar, em La Guaira, relatou que pessoas falecidas estavam sobre o piso devido à sobrecarga de atendimento.

A AFP descreveu cenas de movimentação constante nos necrotérios, com caminhonetes chegando carregadas de corpos embalados em sacos e lençóis. Pelo menos 200 corpos teriam sido encaminhados ao serviço de medicina legal desde sexta-feira (26), segundo relatos de funcionários que pediram anonimato.

Yessica Mendoza, de 43 anos, relata ter ido ao necrotério de madrugada com o corpo da filha, Yesimar Rodríguez, 25, e decidiu cremá-lo, pois o estado de decomposição já era avançado. O genro, Jhomel Anaya, 26, também morreu no desabamento do apartamento onde moravam.

O regime de Delcy Rodríguez informou ao menos 920 mortos até o momento. A ONU estima que mais de 6,7 bilhões de dólares em danos diretos possam ter ocorrido, com até 6,76 milhões de pessoas afetadas. A Organização das Nações Unidas também aponta mais de 50 mil desaparecidos, segundo o chefe de ajuda humanitária. A tecnologia de registro de desaparecidos ganhou importância entre oposicionistas, que divulgaram ferramentas online para localizar pessoas.

À medida que equipes de resgate trabalham nos prédios destruídos, o número de vítimas pode aumentar. O regime anunciou que está militarizando o estado de La Guaira para ampliar a resposta ao desastre, enquanto o panorama humanitário exige coordenação internacional e apoio contínuo.

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