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Terremoto agrava sobrecarga hospitalar na Venezuela

Terremotos agravam o colapso sanitário na Venezuela, com hospitais desabastecidos, recursos limitados e busca por suprimentos médicos e apoio humanitário

Uma mulher contou ter recebido um pedido para que levasse os próprios suprimentos, ao ser internada no Hospital Domingo Luciani, em Caracas (em imagem de quinta-feira, 25/6, um dia depois dos terremotos) - (crédito: BBC)
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  • Terremotos de 7,2 e, 39 segundos depois, de 7,5 graus causaram milhares de mortos e feridos; a ONU estima cerca de 50 mil desaparecidos.
  • A infraestrutura de saúde venezuelana, já em crise, enfrenta escassez crítica de suprimentos, medicamentos e equipamentos.
  • A Venezuela ativou oito hospitais públicos na região metropolitana de Caracas e pelo menos dez clínicas privadas para atender à população.
  • Pacientes e familiares relatam que precisam levar seus próprios itens (medicamentos, gazes, desinfetantes) devido à falta de recursos.
  • Ajuda internacional chega, com Brasil enviando missão humanitária e outros países contribuindo com apoio médico e equipamentos.

O terremoto de magnitude 7,2, seguido por outro de 7,5, na região oeste da Venezuela, deixou o sistema de saúde do país sob pressão ainda maior. A catástrofe ocorreu na quarta-feira, 24 de junho, e provocou quedas de estruturas, destruição de suprimentos e interrupção de serviços médicos. No contexto, hospitais já enfrentavam escassez de insumos antes do tremor.

Com a desorganização da assistência, as equipes médicas relatam falta de medicamentos, gazes, luvas, máscaras e equipamentos cirúrgicos. Em La Guaira, região mais afetada, hospitais lotados tentam atender a um fluxo intenso de pacientes feridos. Muitos dependem de soluções trazidas por familiares e voluntários.

Até o momento, o balanço aponta cerca de 920 mortes e mais de 3.360 feridos, com pessoas ainda presas sob escombros. A ONU estima que possa haver cerca de 50 mil desaparecidos, ampliando a complexidade dos resgates.

Rede de atendimento público

Na quinta-feira (25/6), o Ministério da Saúde informou que ativou oito hospitais públicos na região metropolitana de Caracas, além de pelo menos 10 clínicas privadas para ampliar a capacidade de atendimento. Mesmo assim, as unidades seguem em estado crítico.

Profissionais de saúde destacam que a falta de suprimentos compromete a assistência cotidiana. Médicos relatam colapso de centros médicos e solicitam que pacientes tragam itens básicos para o atendimento emergencial.

Desabastecimento histórico

A crise já vinha sendo apontada antes do terremoto. Em 2024, a Federação Médica Venezuelana indicou desabastecimento em 90% dos hospitais. A Pesquisa Nacional de Hospitais apontou problemas graves, como baixa disponibilidade de materiais cirúrgicos e poucas salas de operação em funcionamento.

Relatos de pacientes indicam que médicos muitas vezes precisam adaptar procedimentos pela ausência de insumos. Famílias costumam levar itens como cobertores, água e remédios para garantir assistência.

Pessoal e migração

Dados de 2023 indicam grande exílio de profissionais da saúde, com mais de 42 mil médicos e enfermeiros deixando o país. A remuneração baixa e condições de trabalho precárias são apontadas como fatores estruturais, contribuindo para a escassez de mão de obra.

A situação de serviços públicos é tema de monitoramento internacional. Em 2025, autoridades da ONU destacaram vulnerabilidades, incluindo o acesso a água, energia e equipamentos médicos.

Esforços de ajuda internacional

O abalo acelerou esforços de cooperação internacional. Vários países e organizações já anunciaram assistência, com missões de resgate, medicamentos e apoio logístico. O Brasil anunciou envio de uma missão humanitária com bombeiros, Defesa Civil e outros técnicos, além de equipamentos.

No sábado, o Brasil confirmou novo envio de um voo com recursos adicionais para a Venezuela, incluindo um hospital de campanha. Autoridades brasileiras destacaram a continuidade do apoio às operações de socorro.

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