- Conferência em Accra, de 16 a 19 de junho, reuniu representantes de oitenta países, instituições e sociedade civil para definir a próxima fase da justiça reparativa após a resolução da ONU de 25 de março.
- Pela primeira vez estiveram presentes França, Alemanha, Holanda e Dinamarca; Reino Unido, Portugal e Espanha não participaram.
- França sinalizou apoio e anunciou, em mensagem de Emmanuel Macron, a criação, com Gana, de uma comissão científica internacional para recomendar formas de reparação por meio de revelação histórica.
- Holanda e Alemanha reiteraram compromissos, principalmente na restituição de patrimônios culturais saqueados; Dinamarca apoiou a restauração de Fort Osu, em Accra.
- O Marco Global de Justiça Reparativa adotado em Accra não é apenas memória, mas um plano para redesenhar a ordem internacional, conectando escravidão e colonialismo às desigualdades atuais.
O movimento de reparação ganhou força internacionalmente após uma resolução da ONU. De 16 a 19 de junho, Accra sediou um encontro inédito para definir o próximo capítulo do tema, reunindo representantes de 80 países, instituições multilaterais e sociedade civil. Pela primeira vez, França, Alemanha, Holanda e Dinamarca participaram.
A delegação europeia marcou mudança política, mas os compromissos não correspondem à dimensão do momento. Um quadro geral aponta para escolhas entre justiça reparatória e salvaguarda de interesses nacionais que perpetuam desigualdades globais.
Perspectiva francesa
Em mensagem do presidente Emmanuel Macron, Paris reconheceu a ressonância da resolução da ONU. Anunciou a criação, com o Ghana, de uma comissão científica internacional para ouvir relatos históricos e propor formas de reparação por meio da verdade histórica. Este gesto sinaliza possível virada.
Atuação de outros países
A Holanda e a Alemanha reforçaram compromissos anteriores, com foco na restituição de patrimônios culturais saqueados. A Dinamarca limitou-se a apoiar a restauração de Fort Osu, em Accra, onde muitos africanos foram traficados. Reino Unido, Portugal e Espanha não estiveram presentes.
Documento-chave
A Framework Global de Reparação adotada em Accra não se restringe a memória ou a devolução de artefatos. Propõe redesenhar o order internacional, conectando escravidão e colonialismo às desigualdades atuais em áreas como economia, finanças e clima. O objetivo é reformar instituições.
Reação e leitura crítica
Críticos destacam que, apesar do tom de mudança, há uma distância entre declarações e ações efetivas. Macron teve ressonância entre alguns setores, mas críticos lembram estruturas neocoloniais ainda ativas na França e em suas relações com África.
Contexto geopolítico
O texto de Accra surge em um momento em que o Ocidente enfrenta um recuo relativo da influência europeia. A China e outras potências ganham espaço, enquanto a ordem global passa a ser disputada com maior peso de poder bruto.
Caminho futuro
Analistas afirmam que a ordem internacional pode se redefinir com a adesão explícita de países europeus a uma lógica de reparação. A próxima Assembleia Geral da ONU, em setembro, é apontada como etapa decisiva para o marco normativo global.
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