- Foto de prédio desabando circula na internet antes dos terremotos na Venezuela, com legenda estimando cerca de 100 mil mortos; conteúdo é falso.
- O material não é da Venezuela e apresenta indícios de uso de inteligência artificial; postagens circulavam desde 9 de junho, antes dos tremores.
- Hive Moderation aponta 99% de probabilidade de conteúdo gerado artificialmente; a Reuters checou publicação similar.
- USGS não confirmou a cifra de 100 mil; estimativa automatizada para comparação, não registro oficial de vítimas.
- Governo da Venezuela informou 1.450 mortos, 3.150 feridos e 12.721 famílias afetadas até 28 de junho, com dezenas de milhares de desparecidos.
O que circula nas redes não é um registro autêntico. Uma foto de um prédio desabando aparece com a legenda de que teriam ocorrido cerca de 100 mil mortos na Venezuela. A imagem não corresponde aos eventos do país e parece ter sido gerada por inteligência artificial.
O material foi checado pelo Estadão Verifica, que constatou inconsistências visuais e a presença de artefatos comuns em conteúdos criados por IA. Detalhes como a duplicação de um bombeiro no vídeo e letreiros pouco legíveis em um veículo de resgate indicam manipulação. A imagem circula online desde o dia 9 de junho, antes dos tremores identificados no país.
Segundo verificação, o número de 100 mil mortos não foi confirmado por autoridades. O USGS, serviço estadounidense, utiliza estimativas automatizadas para prever danos a partir da população exposta e de ocorrências anteriores, não sendo, portanto, um registro de mortes reais. A Venezuela confirmou números oficiais mais modestos.
Verificação e contexto
O governo venezuelano informou, até o domingo 28, 1.450 mortos, 3.150 feridos e 12.721 famílias afetadas. Do total de vítimas, porém, há dezenas de milhares de pessoas ainda listadas como desaparecidas. O instituto venezuelano Cazadores de Fake News detalhou a diferença entre estimativas automatizadas e dados oficiais consolidados.
Instituições independentes ressaltam que conteúdos com imagens sintéticas têm repercussão rápida nas redes. A Reuters também analisou publicações semelhantes, reforçando a importância de checar a origem e a autenticidade de conteúdos visuais compartilhados durante crises.
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