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Regime venezuelano é acusado de politizar ajuda após terremotos

Críticos veem Delcy Rodríguez politizando a ajuda aos terremotos para consolidar a legitimidade do governo; oposição denuncia manobras políticas

A atual líder da Venezuela, Delcy Rodríguez (ao centro), e o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, conversam com moradores em La Guaira
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  • A líder interina Delcy Rodríguez é alvo de críticas de que estaria politizando a resposta aos terremotos para fortalecer sua legitimidade.
  • A oposição Vente mobilizou voluntários para arrecadar doações, mas encontrou resistência da Polícia Nacional para que as doações fossem canalizadas apenas pelo governo.
  • O governo afirma que pretende manter a ordem e que as doações devem passar pela Defesa Civil e pelo governo, para não obstruir operações de resgate.
  • Centenas de voluntários da oposição tentaram entregar ajuda em La Guaira, mas enfrentaram restrições de acesso, com a polícia recuando após a repercussão.
  • Especialistas veem isso como uma disputa política maior, em meio a ajuda internacional chegando, e sugerem que a crise pode atrasar eventual transição democrática.

O regime da Venezuela é acusado de politizar a ajuda humanitária após dois terremotos que devastaram o país. Críticos apontam que Delcy Rodríguez, líder interina, busca capitalizar a resposta à tragédia, enquanto apoiadores da oposição alegam uso semelhante por parte do governo.

A oposição, liderada pela ex-legisladora María Corina Machado, organizou voluntários para arrecadar donativos para sobreviventes desabrigados. Em Portuguesa, no estado de La Guaira, uma cidade a cerca de 440 km da zona afetada, voluntários relataram que as doações deveriam passar pelo governo.

Na quinta-feira (25), Heidy Loicett, da Vente, foi fotografada sob uma lona azul onde recebia itens como fraldas, água e roupas. Ela disse ter sido informada de que apenas a Defesa Civil poderia receber doações, o que chamou de perseguição política.

A operação de ajuda e o controle de recebimento

O governo afirma tentar manter áreas desobstruídas para facilitar o tráfego de caminhões com ajuda e equipes de resgate. Autoridades argumentam que o grande fluxo de voluntários estava atrapalhando atividades de resgate em La Guaira.

Centros de coleta montados pela oposição teriam sido informados de que não poderiam exibir a expressão centro de doação, para não confundir com pontos autorizados pelo regime. Esse cenário alimenta acusações de uso político da crise.

Contexto político e reação internacional

O terremoto deixou ao menos 1.450 mortos, segundo fontes oficiais. Voluntários da oposição pretendiam entregar donativos na região afetada durante o fim de semana, mas a polícia local restringiu a entrada de civis sem autorização.

Rodríguez recebeu delegações internacionais de busca e resgate, incluindo países alinhados à oposição, como El Salvador e Argentina. Analistas ressaltam que aceitar ajuda de adversários políticos evidencia o delicado equilíbrio entre gestão de crise e interesse político.

Especialistas observam que tentativas de limitar a participação popular podem sinalizar estratégias de governabilidade em meio a uma crise. A comunidade internacional acompanha a evolução das ações de assistência e da reconstrução, diante de um cenário de tensões políticas.

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