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Recuo dos EUA na Otan leva Europa a rever defesa própria

Com EUA em revisão de presença, a Europa busca defesa própria e acelera planos, diante de Rússia, Irã e incerteza de apoio

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participa de entrevista após a cúpula da Otan, em Haia, em 25 de junho de 2025
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  • Os Estados Unidos estudam reduzir a presença militar na Europa, incluindo a retirada de um dos dois grupos de porta-aviões e de todos os submarinos designados à Otan; o Pentágono coordena uma revisão de seis meses para a aliança ficar com maior responsabilidade pela defesa europeia.
  • O tom da cúpula é de cobrança: Washington diz que a Europa precisa cumprir metas de defesa, com a ideia de que a Otan seja uma via de mão dupla; na prática, o Reino Unido planeja investir quinze bilhões de libras em defesa, com um buraco de £4,7 bilhões a ser coberto no próximo orçamento.
  • Em Ancara será discutida a adesão da Ucrânia à Otan “um dia”, sem Data‑limite definida; o apoio de Kiev permanece na agenda, com esforços para chegar a uma posição comum entre europeus antes da cúpula.
  • O risco citado é de que a Rússia possa usar força contra a Otan em até cinco anos; a defesa do flanco leste, com drones, mísseis e defesa aérea, deve dominar as negociações.
  • No contexto regional, o atrito com o Irã e o fechamento do estreito de Hormuz continuam como pano de fundo, mesmo após memorando de entendimento assinado entre EUA e Teerã; Trump pressionou por lealdade dos aliados durante a cúpula, gerando desentendimentos públicos.

Desde a fundação em 1949, a Otan enfrenta crises, guerras e rupturas, sempre com os EUA como âncora. Hoje, essa âncora parece vacilar pela primeira vez de forma tão explícita, segundo analistas e participantes da cúpula em Ancara.

A reunião marca um momento de tensão entre manter a aliança e distribuir responsabilidades. Em jogo, gastos com defesa, presença militar dos EUA na Europa, apoio à Ucrânia e respostas a ameaças da Rússia e de outras potências.

Trump sinalizou que, mesmo presente, espera lealdade dos aliados, interpretada como submissão. O encontro em Ancara envolve todos os 32 chefes de Estado para discutir cenários que vão além de simples ajustes orçamentários.

Gasto em defesa e contribuição da Otan

Na cúpula anterior, Haia, houve compromisso de investir pelo menos 5% do PIB em segurança até 2035, sendo 3,5% em defesa. O Secretário de Defesa americano indicou que o não cumprimento pode reduzir a contribuição dos EUA ao orçamento da Otan.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, anunciou investimento militar de £15 bilhões, com buraco de £4,7 bilhões para cobrir no Orçamento seguinte. Andy Burnham pode herdar encargos caso o governo mude.

Retirada americana

Washington propõe reduzir bastante a presença militar europeia, incluindo a retirada de um grupo de porta-aviões e de submarinos designados à aliança. O Pentágono conduz uma revisão de seis meses para que a Europa assuma a defesa do continente.

Ucrânia

O apoio a Kiev permanece na agenda. Potências europeias, reunidas antes da cúpula, buscam posição comum para Ancara. A ideia de admitir a Ucrânia à Otan “um dia” continua em discussão, sem calendário definido.

Rússia

O secretário-geral da Otan afirmou que Moscou pode estar pronto para usar força contra a aliança em até cinco anos. A defesa no flanco leste, com drones e mísseis, deve ser foco das negociações.

Irã

O contexto da guerra no Irã e o fechamento do estreito de Hormuz permeia as conversas, mesmo após memorando de entendimento com Washington assinado em 18 de junho. França, Alemanha, Itália e Reino Unido deram apoio ao acordo, sem reduzir tensões.

Cenário europeu e futuro da aliança

O dilema é real: décadas de dependência dos EUA não se resolvem com um único orçamento. Construir defesa autônoma europeia demanda tempo, indústria e doutrina próprias.

A Europa não pode prescindir dos EUA hoje. O objetivo é avançar rumo a maior autonomia, enquanto o conflito próximo continua a exigir cooperação e adaptação contínuas.

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