- A Fraternidade São Pio X lamenta a excomunhão de seis de seus bispos, considerada “injusta e inválida”, após a confirmação da excomunhão de sacerdotes pela Santa Sé.
- A decisão ocorreu porque a organização nomeou quatro bispos sem a anuência do papa Leão XIV, ato visto como cismático pela Igreja Católica.
- Os bispos nomeados são Pascal Schreiber (Suíça), Michael Goldade (Estados Unidos), Michel Poinsinet de Sivry e Marc Hanappier (França); a cerimônia ocorreu no vilarejo de Écône, na Suíça, em 1.º de mês não informado.
- O superior geral, Davide Pagliarani, afirmou que a ação não visa substituir a Igreja; disse tratar-se de uma “iniciativa extrema de socorro das almas” em meio à confusão doutrinal.
- A Fraternidade possui cerca de 637 sacerdotes, mais de 100 escolas e atuação em 37 países; no Brasil há 24 centros de missa.
A Fraternidade São Pio X pediu nesta sexta-feira, 3, que as excomunhões impostas pela Santa Sé sejam consideradas injustas e inválidas. A declaração veio após a confirmação, na madrugada de quinta-feira, 2, da excomunhão de seis de seus bispos. O ato ocorre no contexto de divergências com o Vaticano.
A entidade ultraconservadora nomeou quatro bispos sem a anuência do papa Leão XIV: Pascal Schreiber, da Suíça; Michael Goldade, dos EUA; Michel Poinsinet de Sivry e Marc Hanappier, ambos da França. A cerimônia ocorreu em Écône, na Suíça, no dia 1º.
Para a Igreja Católica, todo bispo deve ser nomeado pelo papa, o que torna a ação da Fraternidade considerada cismática pela Santa Sé. A autônoma nomeação é vista como desvio grave da unidade e disciplina eclesial.
A declaração do superior geral da Fraternidade, o padre italiano Davide Pagliarani, foi publicada em carta destinada ao papa Leão XIV. Ele disse que a excomunhão evidencia o que chamou de contexto trágico da Igreja e de confusão doutrinal.
Pagliarani afirmou que a atuação da Fraternidade visa apenas socorrer fiéis em meio à crise atual e não busca dominar ou substituir a Igreja. O comunicado reforça a visão de fidelidade à Igreja sem adesão a tendências que considere modernistas.
A polêmica evidencia uma divisão ideológica que persiste dentro da Igreja Católica. A cúpula vaticana acompanha com alerta o racha entre correntes conservadoras e reformistas, que se intensificou desde o Concílio Vaticano II.
A Fraternidade, criada em 1970 por Marcel Lefebvre, mantém o rito tradicional tridentino e segue um entendimento crítico às reformas litúrgicas pós-Concilio. O movimento tem presença internacional e atua em várias frentes educacionais.
No Brasil, a Fraternidade possui 24 centros de missa, com atuação em 14 cidades, incluindo São Paulo e outras capitais. A Arquidiocese de São Paulo afirmou que a Fraternidade é instituição autônoma e não está sob sua jurisdição.
Contexto e próximos passos
- A Santa Sé informou oficialmente as excomunhões, enquanto a Fraternidade reage questionando a validade das medidas.
- A polémica permanece sob observação das autoridades católicas globais, que buscam preservar a unidade doutrinária da Igreja. Lideranças externas acompanham o desenrolar com cautela.
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