- Canadá e Alberta anunciam mais de C$ 150 bilhões em novos investimentos, para ampliar presença internacional e expandir portos em Vancouver e infraestrutura de LNG, com proteção à baleia-orca sul.
- O projeto prevê um novo oleoduto, seguindo a rota atual do Trans Mountain até um terminal no sul, com capacidade de 1 milhão de barris por dia, e participação igualitária do governo federal e de Alberta, incluindo comunidades indígenas.
- Consultas serão iniciadas de imediato com comunidades indígenas, além de provinces e territórios, mantendo a proibição federal de movimentação de petróleo por tankers na costa norte da Colúmbia Britânica.
- O primeiro-ministro Mark Carney destacou a diversificação de mercados e o objetivo de reduzir a dependência dos Estados Unidos, enquanto avaliações de custo e retorno financeiro são questionadas por especialistas.
- Críticas de grupos ambientais e de algumas First Nations persistem, apontando riscos financeiros e impactos ambientais, apesar das salvaguardas anunciadas.
Duas províncias canadenses anunciam investimentos e um novo gasoduto para ampliar presença internacional do país, após responder a preocupações de BC e das Nações Originárias da região costeira. O pacote soma mais de 150 bilhões de dólares canadenses em novos investimentos, com foco em infraestrutura portuária, energia e proteção ambiental. O objetivo é reduzir a dependência do comércio com os EUA e ampliar atuação no exterior.
O plano envolve expansão de infraestrutura portuária em Vancouver, com melhorias para receber um terminal de gás natural liquefeito. Também prevê investimentos em proteções para a orca killer southern resident, espécie considerada em risco, e em medidas de redução de metano. O projeto principal é um novo gasoduto que seguirá a rota do pipeline Trans Mountain até um novo terminal.
Carney anunciou que Canadá e Alberta seriam parceiros iguais no empreendimento, com participação significativa de comunidades indígenas. As consultas devem começar imediatamente com povos indígenas, províncias e territórios. O governo reiterou a manutenção de uma proibição federal de embarque de petróleo de alto-mar na costa norte da Colúmbia Britânica.
O traçado sul do gasoduto foi escolhido em vez da rota norte, que exigiria derrubar a proibição de navios-tanque. Alberta aposta que a nova rota é mais rápida e econômica para ampliar exportações de energia. O governo albertino também enfrenta pressão de setores separatistas locais para demonstrar capacidade de fechar grandes acordos energéticos com o governo federal.
A primeira-ministra de BC, David Eby, afirmou que o governo não contestará o gasoduto, destacando salvaguardas robustas e compensação ambiental para moradores. Ele citou derrotas judiciais envolvendo expansões anteriores do Trans Mountain como lições do passado. Eby ressaltou que o acordo oferece salvaguardas e compensação ambiental.
Líderes de Nações Originárias elogiaram a manutenção da proteção da costa e destacaram que nenhuma tecnologia atual remove totalmente óleo no mar. Marilyn Slett, presidente de uma federação regional, descreveu o anúncio como positivo para a proteção costeira, enfatizando que a prosperidade econômica não pode colocar em risco o modo de vida local.
Percepção de organizações ambientais diverge: o Climate Action Network reconhece a leitura estratégica do governo, mas afirma que a mudança climática é a principal fonte de instabilidade. O grupo reiterou que a expansão de combustíveis fósseis continua arriscada diante de condições climáticas extremas.
A expansão do Trans Mountain permanece entre as maiores e mais caras obras de infraestrutura já registradas no Canadá. Especialistas ressaltam custos e dúvidas sobre retorno financeiro para os cofres públicos, destacando que o fôlego econômico recai sobre contribuintes de Alberta e de todo o país.
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