- O Fasano Al Mare Beach Club, em Cala Finanza, na Sardenha, enfrenta disputa ambiental e judicial por intervenções em área de vegetação destinada à conservação.
- Uma petição online contra o projeto já soma mais de 75 mil assinaturas, com resistência de parte da população local.
- A área fica a cerca de 30 metros do mar, em região protegida pela legislação da Sardenha que proíbe edificações na faixa de 300 metros do litoral desde os anos 1990.
- O caso envolve autorizações por meio da Zona Econômica Especial (ZEE) e gerou atrito entre governo italiano e governo regional da Sardenha, que levou o tema à Justiça; a audiência está marcada para 8 de agosto.
- Enquanto a tramitação segue, o governo italiano chegou a autorizar licenças em fevereiro, mas a região recorreu, e a Justiça ainda não definiu o desfecho, com o Fasano reforçando o cumprimento da legislação local.
O Fasano Al Mare Beach Club, empreendimento do grupo JHSF Fasano, gera disputa ambiental e judicial na Sardenha. A obra fica em Cala Finanza, na costa italiana, e envolve uso de áreas próximas ao mar, que a legislação da região restringe desde os anos 1990. A controvérsia envolve aspectos ambientais, legais e políticos.
Grupos ambientalistas contestam a intervenção em vegetação destinada à conservação, sob o bioma macchia mediterrânea. A região também é reconhecida no plano paisagístico regional como patrimônio identitário. O projeto foi levado à Justiça após pareceres técnicos negativos.
A primeira fase do projeto prevê hotéis, residências e infraestrutura de lazer. A Tavolara Bay, que segundo documentos reúne a JHSF como sócia principal, pediu autorizações para trilhas, glamping e escritórios, com mudança de uso de residencial para turístico-hoteleiro.
A controvérsia ganhou urgência após a empresa recorrer à Zona Econômica Especial (ZEE), mecanismo criado em 2024 para facilitar investimentos no sul da Itália. A ZEE visa simplificar trâmites e concentrar serviços em uma conferência técnica.
Situação legal e pareceres
O governo italiano autorizou as obras em fevereiro, após pareceres técnicos negativos de órgãos regionais da Sardenha. A administração da região recorreu e contestou a decisão. Em 4 de junho, a autorização foi mantida, provocando nova impugnação oficial.
A governadora Alessandra Todde, da oposição ao governo Meloni, afirmou que as leis da Sardenha devem ser respeitadas. A audiência no Tribunal Administrativo Regional de Cagliari está marcada para ocorrer em breve, com suspensão de intervenções no terreno até lá.
Reações locais e perspectivas
A petição online contra o Fasano Al Mare já reúne mais de 75 mil assinaturas, refletindo apoio de parte da população local. Ambientalistas destacam o potencial impacto na paisagem costeira e no turismo sustentável da região.
Especialistas apontam que o caso pode estabelecer jurisprudência sobre o uso da ZEE para projetos de grande porte. O desfecho dependerá da avaliação judicial sobre compatibilidade entre autorização única e normas de proteção costeira.
Panorama do projeto
O Fasano Sardegna integra um plano maior na área, com conclusão prevista para 2028. A segunda fase incluiria hotelaria, vilas, marina e outros serviços, ocupando terreno próximo a Cala Finanza e a Porto San Paolo. A empresa nega impactos irreversíveis e sustenta conformidade ambiental.
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