A Turquia intensificou a repressão a opositores nas semanas que antecederam a cúpula da OTAN em Ancara, bloqueando sites críticos à aliança, prendendo um comediante e proibindo que um cruzeiro voltado ao público gay atracasse em portos turcos. As informações são do jornal americano The New York Times. O encontro de dois dias da OTAN na […]
A Turquia intensificou a repressão a opositores nas semanas que antecederam a cúpula da OTAN em Ancara, bloqueando sites críticos à aliança, prendendo um comediante e proibindo que um cruzeiro voltado ao público gay atracasse em portos turcos. As informações são do jornal americano The New York Times.
O encontro de dois dias da OTAN na capital turca deve discutir orçamentos de defesa e capacidade militar dos países-membros. A governança interna dos Estados não está na pauta oficial, embora o tratado fundador da OTAN mencione o compromisso com democracia e Estado de direito.
A Turquia ganhou nova relevância estratégica para a OTAN em meio à guerra na Ucrânia e às ameaças de Trump de reduzir o papel dos Estados Unidos na aliança. Segundo grupos de defesa dos direitos humanos, isso tem levado os países-membros a evitar críticas ao avanço autoritário de Erdogan.
Para a diretora da Human Rights Watch para a Turquia, Emma Sinclair-Webb, o país está “muito mais fora da linha” que qualquer outro membro da OTAN em relação a democracia e direitos humanos.
A prisão do comediante Deniz Goktas é outro episódio que revela o autoritarismo do governo turco. Ele foi detido no aeroporto de Istambul após fazer piadas sobre o presidente e sobre um acidente de trânsito de 1998 envolvendo o filho de Erdogan, e segue em prisão preventiva por acusações de insultar o mandatário.
A operação de segurança também resultou em 225 detenções, das quais 103 pessoas foram enviadas à prisão preventiva. Entre os alvos estavam ativistas ambientais, um professor universitário e o editor de uma revista LGBTQ+.
Um cruzeiro voltado ao público gay também foi impedido de atracar em portos turcos. A província de Aydin negou a entrada da embarcação, e uma parada prevista em Istambul foi cancelada, assim como a visita dos passageiros a um bar gay na cidade. O CEO da empresa responsável pela organização do cruzeiro disse que já havia levado viagens semelhantes à Turquia treze vezes sem problemas.
O governo turco nega interferência política no Judiciário e Erdogan afirma que os próprios opositores são responsáveis por seus problemas legais.
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