Os rebeldes huthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, reivindicaram neste sábado (25) um ataque com míssil contra a cidade costeira de Jizã, no sudoeste da Arábia Saudita. A ofensiva ocorreu em retaliação a bombardeios sauditas no Iêmen e abriu uma nova frente na escalada militar no Oriente Médio.
Os rebeldes huthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, reivindicaram neste sábado (25) um ataque com míssil contra a cidade costeira de Jizã, no sudoeste da Arábia Saudita. A ofensiva ocorreu em retaliação a bombardeios sauditas no Iêmen e abriu uma nova frente na escalada militar no Oriente Médio.
O ataque amplia a tensão em uma região estratégica para o transporte global de petróleo e gás. Nos últimos dias, os huthis também afirmaram ter atacado navios sauditas no Mar Vermelho, o que levou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a ameaçar “grandes ações militares” contra os rebeldes e o Irã.
A escalada ocorre após uma trégua de quatro anos entre os huthis e a Arábia Saudita. Riade apoiava militarmente o governo do Iêmen contra os rebeldes desde 2015, mas as hostilidades entre os dois lados foram retomadas em 13 de julho.
Segundo o site de notícias huthi Ansar Allah, os rebeldes lançaram um míssil contra Jizã , cidade próxima à fronteira com o Iêmen. Um vídeo que circula nas redes sociais e foi verificado pela AFP mostra colunas de fumaça preta acima da refinaria da Aramco na região.
Antes do ataque, os huthis haviam relatado bombardeios sauditas contra o porto de Hodeida, na costa oeste do Iêmen, e prometido retaliar. De acordo com a mídia ligada aos rebeldes, duas pessoas ficaram feridas nos ataques, que atingiram instalações de telecomunicações.
Uma base naval também foi atingida, segundo uma fonte de segurança iemenita ouvida pela AFP. A coalizão militar liderada pela Arábia Saudita afirmou ter dado uma “resposta decisiva” contra instalações militares dos huthis, em retaliação a ataques contra navios sauditas no Mar Vermelho.
Embora o porta-voz da coalizão, Turki al-Maliki, tenha indicado no X que a operação foi concluída, os huthis classificaram a ofensiva como “uma escalada perigosa”.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou ao jornal estatal Iran Daily que não há “solução militar” para os confrontos entre os huthis e a Arábia Saudita. Ele pediu que os envolvidos retomem o diálogo.
A tensão também envolve rotas marítimas estratégicas. Na segunda-feira (20), os huthis anunciaram a intenção de bloquear o tráfego marítimo saudita no Mar Vermelho e no Golfo de Aden. Até agora, porém, a navegação pelo Estreito de Bab el-Mandeb permanece estável.
Essa rota ganhou ainda mais importância para a Arábia Saudita por servir como alternativa ao Estreito de Ormuz, do outro lado da Península Arábica, onde o Irã ampliou a pressão sobre embarcações que passam pela região.
Neste sábado (25), a Guarda Revolucionária do Irã afirmou que suas forças abordaram quatro embarcações que tentavam transitar pelo Estreito de Ormuz por uma “rota ilegal e insegura”. Segundo o grupo militar iraniano, os navios mudaram de rumo.
Mais cedo, a agência britânica de segurança marítima UKMTO relatou um incidente envolvendo um petroleiro e “forças militares” no Golfo de Omã, próximo ao estreito.
Apesar da retomada das hostilidades, Trump afirmou que mantém canais diplomáticos abertos com Teerã. O presidente americano disse estar “conversando” com líderes iranianos, mas não descartou novos bombardeios contra a República Islâmica.
“Acho que eles estão ficando cada vez mais sérios com o passar dos dias, talvez por um motivo óbvio”, afirmou Trump, em referência aos ataques americanos contra o Irã.
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