- Uma operação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e de órgãos federais combate o garimpo ilegal na terra indígena Sararé, em Mato Grosso.
- A área de sessenta e sete mil hectares está devastada pela exploração ilegal de ouro.
- Em três semanas, foram destruídos mais de quatrocentos acampamentos e cem escavadeiras.
- Garimpeiros utilizam escavadeiras hidráulicas, causando poluição por mercúrio e destruição da vegetação, afetando a fauna aquática.
- A operação, sem prazo para conclusão, visa proteger as comunidades locais e restaurar a integridade da terra indígena.
Uma operação conjunta do Ibama, de órgãos federais e das polícias de Goiás, Mato Grosso e do Distrito Federal está combatendo o garimpo ilegal na terra indígena Sararé, no oeste de Mato Grosso. A área, que abrange 67 mil hectares, sofre com a devastação causada pela exploração ilegal de ouro. Em três semanas, mais de 400 acampamentos e 100 escavadeiras foram destruídos.
Os garimpeiros, que invadiram a terra indígena, utilizam escavadeiras hidráulicas para abrir grandes cavidades, resultando em poluição por mercúrio e destruição da vegetação. Hugo Loss, coordenador da operação do Ibama, destacou que a lama gerada é frequentemente lançada nos rios, comprometendo a fauna aquática. A presença de mais de mil garimpeiros foi estimada no local, onde conflitos internos entre as comunidades indígenas também foram relatados.
Conflitos e Ameaças
Os Nambikwara Katitaurlu, que habitam a região, enfrentam ameaças constantes. Uma indígena, que preferiu não se identificar, revelou que garimpeiros oferecem dinheiro para que os moradores permitam a exploração. “O peixe é uma preocupação. Antes, eu pescava no rio, mas agora está tudo estragado”, afirmou outro indígena. Desde o início de 2023, sessenta assassinatos foram atribuídos a disputas pelo controle do garimpo.
A operação do Ibama é resultado de uma determinação judicial e não possui prazo para conclusão. Jair Schimidit, chefe de operações do Ibama, mencionou que garimpeiros de outras terras indígenas, como Yanomami e Munduruku, podem ter migrado para Sararé. As forças de segurança estão enfrentando resistência armada, com indícios de que os invasores estão bem equipados.
Recuperação e Futuro
A expectativa é que, com a continuidade das operações, a área possa ser recuperada. “A vegetação pode ser regenerada, evitando outras consequências ao meio ambiente e aos indígenas”, afirmou o chefe de operações do Ibama. A ação visa não apenas a desintrusão, mas também a proteção das comunidades locais e do meio ambiente, em um esforço para restaurar a integridade da terra indígena Sararé.
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