- O governo de Donald Trump tentou, no ano passado, banir urnas eletrônicas usadas em mais da metade dos estados, avaliando declarar componentes como risco à segurança nacional, segundo fontes.
- Kurt Olsen, assessor da Casa Branca, liderou o esforço para atacar as máquinas da Dominion Voting Systems, discutindo a criação de um sistema nacional de contagem manual em cédulas de papel.
- O plano avançou até setembro, quando o Departamento de Comércio pesquisou bases para agir, mas fracassou por não apresentar provas suficientes.
- O episódio faz parte de uma iniciativa mais ampla de transferir poderes de condução de eleições dos estados para o governo federal, o que preocupa democratas por possíveis contestações e atrasos no pleito.
- Investigações da Reuters mostraram buscas por registros confidenciais e acesso a equipamentos de votação; especialistas apontam que a combinação atual de tecnologia com registro em papel é amplamente apoiada para auditorias, sem evidências comprovadas de invasões nos sistemas da Dominion.
O governo de Donald Trump avaliou, no ano passado, a possibilidade de banir o uso de urnas eletrônicas em várias jurisdições dos EUA, alegando riscos à segurança nacional. A ideia seria que o Departamento de Comércio declarasse certos componentes como ameaças, abrindo caminho para a retirada de máquinas de votação usadas em mais da metade dos estados.
Kurt Olsen, assessor da Casa Branca responsável por políticas de segurança eleitoral, liderou o esforço voltado a questionar a legitimidade das urnas atuais e a discutir como o federal poderia, em tese, assumir o controle de eleições antes exercido pelos estados. O plano incluía a criação de um sistema nacional de contagem com cédulas de papel, uma proposta alinhada a demandas de Trump.
A iniciativa ganhou força após debates internos entre Olsen e outros funcionários e já havia sido mencionada publicamente por Trump. Em setembro, membros do Departamento de Comércio chegaram a avaliar fundamentos para aplicar a medida, segundo fontes próximas ao tema.
No entanto, o plano não foi adiante. Segundo as fontes, Olsen e compatriotas não apresentaram provas suficientes para justificar a remoção das urnas. O episódio faz parte de uma agenda mais ampla de restringir a atuação dos estados na condução das eleições, em confronto com previsões constitucionais.
Olsen permanece ligado a investigações sobre alegações de fraude eleitoral, atuando em conjunto com agências de inteligência e de aplicação da lei. Outros participantes citados incluem Paul McNamara, ligado à equipe de Tulsi Gabbard, e Brian Sikma, assessor do Conselho de Política Interna de Trump.
McNamara, à época, pediu que o Departamento de Comércio considerasse a designação de componentes da Dominion como risco à segurança nacional. A força-tarefa do ODNI com participação de representantes do governo avaliava vulnerabilidades nas urnas, sem, entretanto, concluir pela existência de risco inequívoco.
A Casa Branca informou que não houve envolvimento direto do secretário de Comércio ou de seu gabinete nas discussões. Um porta-voz da agência afirmou que não houve reunião nem comentário sobre o tema. Os envolvidos não responderam aos pedidos de entrevista.
A reportagem também mostra que democratas e especialistas em integridade eleitoral receiam que a derrota pré-anunciada de financiamentos para o pleito acabe servindo de justificativa para contestar resultados com alegações de fraude. Dados oficiais indicam que a ampla maioria das jurisdições utiliza registro em papel para cada voto.
Especialistas destacam que a combinação de tecnologia de urnas com reflexos em papel facilita auditorias, mantendo rastros verificáveis. Técnicos apontam que mudar para contagem manual poderia gerar confusão e aumentar riscos de erros ou fraudes.
A investigação da Reuters, publicada no início do mês, indica que funcionários de governos estaduais buscaram registros confidenciais, tentaram acessar equipamentos de votação e reanalisaram casos de fraude amplamente contestados por tribunais e investigações bipartidárias.
A Dominion Voting Systems, com sede em Denver e adquirida pela Liberty Vote USA no ano passado, continua a ser foco de controvérsia, mesmo com a ausência de evidências públicas robustas de falhas sistêmicas que comprometam os resultados eleitorais.
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