- Walter Delgatti afirmou que Jair Bolsonaro ofereceu assinar um indulto presidencial em troca de provas contra as urnas eletrônicas.
- O hacker disse que o ex-presidente também pediu que ele assumisse a autoria de um grampo contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF.
- A negociação envolveria concessão semelhante à graça concedida a Daniel Silveira, que foi anulada pelo STF em maio deste ano.
- O primeiro encontro ocorreu no Palácio da Alvorada, e Delgatti relatou visitas ao Ministério da Defesa para tratar das urnas, sob “ordem” de Bolsonaro.
- Segundo o relato, o presidente afirmou que o grampo seria feito por agentes de outro país e que, em troca, haveria indulto e “carta branca” para agir, sob justificativa de salvar o Brasil.
Walter Delgatti acusa Bolsonaro de oferecer indulto em troca de provas contra urnas e de pedir que assumisse autoria de grampo contra Moraes. A declaração ocorreu em depoimento à CPMI do 8 de Janeiro, no dia 17 de agosto de 2023.
O hacker, conhecido pela operação Vaza Jato, afirmou que o então presidente ofereceu assinar um indulto presidencial para ele, semelhante ao concedido a Daniel Silveira em abril de 2022, para perdoar condenações associadas a supostas fraudes. O STF anulou aquela graça em maio de 2022.
Delgatti relatou que o primeiro encontro com Bolsonaro ocorreu no Palácio da Alvorada, durando cerca de 1h30, e incluiu instruções para contato com técnicos do Ministério da Defesa sobre urnas eletrônicas. Ele também mencionou visitas ao ministério por ordem do então chefe do Executivo, com militares mediando as visitas.
A defesa do hacker descreveu, ainda, que Carla Zambelli o apresentou a Bolsonaro, com participação de Valdemar Costa Neto, presidente do PL, e do marqueteiro Duda Lima. Segundo Delgatti, o suposto acordo envolveria manipulação do código-fonte de urnas para comprovar vulnerabilidades do sistema.
Delgatti afirmou que, em telefonema, Bolsonaro sugeriu que o grampo contra Moraes foi realizado por agentes de outro país e afirmou que, em caso de prisão dele, o presidente asseguraria a prisão do juiz. Segundo o relato, a ação seria “salvando o Brasil” e “pela liberdade do povo”, com Bolsonaro dando carta branca para agir.
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