O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) continua a pressionar o governo federal por uma reforma agrária efetiva, destacando que, apesar de 400 mil famílias já terem sido assentadas desde a realização do primeiro Congresso Nacional do MST em 1985, ainda existem 70 mil famílias acampadas à espera de terras. A situação no campo […]
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) continua a pressionar o governo federal por uma reforma agrária efetiva, destacando que, apesar de 400 mil famílias já terem sido assentadas desde a realização do primeiro Congresso Nacional do MST em 1985, ainda existem 70 mil famílias acampadas à espera de terras. A situação no campo permanece tensa, com milícias de fazendeiros intimidando os trabalhadores, evidenciada pelo recente ataque ao assentamento Olga Benário, que resultou na morte de dois agricultores. Em 2023, a Comissão Pastoral da Terra registrou 31 assassinatos e 1.056 conflitos por terra e água, números que refletem um cenário de violência crescente.
Em resposta a essa situação, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, solicitou a inclusão da Polícia Federal na Comissão Nacional de Enfrentamento à Violência no Campo, buscando reforçar a segurança dos trabalhadores. Embora o número de mortes tenha caído para 12 em 2024, os conflitos aumentaram, com novos desafios como incêndios criminosos e tentativas de invasão por especuladores imobiliários. Teixeira anunciou um investimento de R$ 3,2 bilhões para aquisição de terras e R$ 1,5 bilhão para os assentamentos, reconhecendo que os recursos demoraram a ser disponibilizados devido a uma paralisia que se estendeu desde 2016.
O MST critica os dados apresentados pelo governo, que contabiliza 71.414 famílias como assentadas em 2024, alegando que muitos desses números se referem a regularizações de famílias já existentes e não a novos assentamentos. Ceres Hadich, do MST, afirma que nenhuma família vinculada ao movimento foi efetivamente assentada em novas terras. O Incra, por sua vez, informou que adquiriu 19,6 mil hectares de terras em 2024, a primeira compra desde 2021, mas o MST considera que isso não atende à demanda de cerca de 100 mil famílias acampadas.
A situação é complexa, com o MST enfrentando não apenas a falta de terras, mas também a crescente criminalização de sua luta. Projetos que visam restringir a atuação dos sem-terra estão em tramitação no Congresso, e a liderança do MST teme que a violência no campo se agrave. Apesar das dificuldades, o movimento busca se aproximar da sociedade por meio da agroecologia e da educação, promovendo a formação política e a conscientização sobre a luta pela terra.
Entre na conversa da comunidade