- Dois anos após as expulsões, Yanomami dizem que condições de vida melhoraram, com aumento de profissionais de saúde e ações de segurança que reduziram atividades de garimpo; houve 3.536 operações em 2024 e o número de profissionais de saúde subiu de 690 para 1.759.
- Dados oficiais indicam queda nos registros de mortes por desnutrição no primeiro semestre de 2024, com 155 óbitos, 27% a menos que o mesmo período de 2023, embora haja pedidos por maior transparência.
- O garimpo ilegal permanece em áreas da fronteira com a venezuela, com algumas pistas ainda ativas e entre cinco e oito pontos de garimpo visíveis; mapa aponta abertura de 50 hectares de garimpo em 2024, bem menos que os 390 hectares de 2023.
- A contaminação por mercúrio persiste, e estudo de 2024 da Fiocruz aponta traços em 100% dos 300 Yanomami testados; o mercúrio contamina água e peixes, afetando a alimentação local.
- Autoridades e organizações divergem sobre a permanência do Estado na região, mas líderes indígenas destacam que a continuidade das ações é essencial para evitar retrocesso; comunidades celebram retorno de rituais e plantações, com rios mais limpos após a saída dos garimpeiros.
O território Yanomami, na fronteira com a Venezuela, é a maior terra indígena do Brasil e abriga cerca de 27 mil pessoas, incluindo comunidades isoladas. A retirada de garimpeiros ilegais começou há dois anos, após ações federais, e é acompanhada por relatos de retomada de rituais, cultivo e alimentação, segundo líderes locais.
Júnior Hekurari Yanomami, líder indígena da região, afirma que o povo voltou a se organizar, celebrando bananas e mandioca. A declaração ocorre em meio a um balanço oficial de ações do governo federal na área, anunciando avanços após anos de crises ligadas à presença de garimpeiros.
Em 2024, o governo federal informou que foram realizadas 3.536 operações de segurança na Terra Yanomami e que o número de profissionais de saúde aumentou de 690 para 1.759. A medida visa frear o garimpo ilegal e ampliar serviços médicos na região.
Contexto de crise
O período anterior à gestão atual ficou marcado pelo favorecimento aos garimpeiros e pela piora de condições sanitárias, com aumento de desnutrição infantil e surto de malária, agravando a violência e a degradação ambiental na região.
A retirada de garimpeiros envolveu o desmantelamento de maquinários, apreensão de equipamentos e o bloqueio de saídas logísticas, como aeródromos e fornecimento de combustível. Estima-se que as perdas econômicas atingiram dezenas de milhões de reais.
Situação atual na região
Apesar dos avanços, ainda existem pontos de garimpo e a mobilidade de mineradores persiste em áreas fronteiriças. Hekurari aponta que, embora a maioria tenha migrado, alguns grupos permanecem em regiões próximas a Venezuela, com provocações eventuais quando há presença policial.
Especialistas ambientais alertam que a contaminação por mercúrio continua no ecossistema, com impactos na pesca e na saúde humana. Estudos recentes indicam traços de mercúrio em amostras biológicas de moradores, incluindo crianças.
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