A Autoridade Nacional Palestina (ANP) anunciou uma reestruturação do sistema de pagamento de pensões a famílias de pessoas mortas por Israel ou detidas em prisões israelenses, incluindo aquelas acusadas de terrorismo. Essa reforma visa amenizar o impacto financeiro sobre a ANP e é vista como um gesto de boa vontade em relação à Casa Branca, […]
A Autoridade Nacional Palestina (ANP) anunciou uma reestruturação do sistema de pagamento de pensões a famílias de pessoas mortas por Israel ou detidas em prisões israelenses, incluindo aquelas acusadas de terrorismo. Essa reforma visa amenizar o impacto financeiro sobre a ANP e é vista como um gesto de boa vontade em relação à Casa Branca, especialmente antes do anúncio de planos do presidente Donald Trump para Gaza e possivelmente a Cisjordânia. A medida, divulgada pela agência WAFA, anula legislações anteriores que garantiam pagamentos preferenciais, agora alinhando os beneficiários às regras dos programas sociais da ANP, que priorizam a vulnerabilidade financeira.
Atualmente, o valor das pensões é calculado com base no tempo de sentença dos detentos, independentemente do tipo de crime. Enquanto israelenses e americanos afirmam que essas pensões incentivam o terrorismo, as autoridades palestinas defendem que se trata de uma ferramenta de justiça social. O Hamas criticou a mudança, chamando-a de “antipatriótica”, e enfatizou a necessidade de valorizar os sacrifícios dos prisioneiros e suas famílias. A responsabilidade pelo pagamento agora recai sobre a Instituição Nacional Palestina de Empoderamento Econômico, criada em 2019, que operará com normas e supervisão financeira transparentes.
A discussão sobre os pagamentos começou durante o governo do democrata Joe Biden, buscando um voto de confiança da Casa Branca e abrindo caminho para ajuda financeira dos EUA. Antes da reforma, os pagamentos já haviam caído entre 30% e 40% em 2024, segundo o Centro de Jerusalém para Segurança e Relações Exteriores. A reforma também busca enviar um sinal positivo a Israel, que pode confiscar valores equivalentes aos repasses feitos às famílias dos prisioneiros, totalizando 21 milhões de shekels (R$ 33 milhões) no ano passado.
A proposta da ANP contava com o apoio de Washington e Israel, mas a chegada de Trump e seus planos para os territórios palestinos podem alterar essa dinâmica. Recentemente, Trump anunciou um plano para a Faixa de Gaza, sugerindo a saída permanente de cerca de 2 milhões de palestinos, o que gerou controvérsia. Ele afirmou que essa medida é essencial para “limpar” Gaza após um longo conflito, e até o momento, apenas a base trumpista e Israel apoiaram a proposta. O anúncio da ANP ocorre em um contexto de temores sobre uma possível anexação da Cisjordânia por Israel, com Trump indicando que fará um anúncio sobre a soberania do território em breve.
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