No final de dezembro de 2022, Silvio Almeida foi recebido em um jantar informal em Brasília, onde integrantes do governo de transição se reuniram para dar boas-vindas ao novo ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania. Durante o evento, Almeida, que estava acompanhado de sua esposa e assessoras, fez um comentário a Anielle Franco, ministra […]
No final de dezembro de 2022, Silvio Almeida foi recebido em um jantar informal em Brasília, onde integrantes do governo de transição se reuniram para dar boas-vindas ao novo ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania. Durante o evento, Almeida, que estava acompanhado de sua esposa e assessoras, fez um comentário a Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial, dizendo: “Nossa, como você está linda e cheirosa hoje”. Quatro meses depois, em uma viagem oficial à Europa, ele teria feito comentários inapropriados, incluindo expressões de desejo sexual.
Uma reportagem da Revista piauí revelou que Almeida começou a assediar Anielle antes mesmo de assumir o ministério. A investigação, que envolveu 39 entrevistas ao longo de quatro meses, apontou que Almeida teria feito declarações de natureza sexual, como sentir “tesão” ao olhar para Anielle. A situação levou à sua demissão em setembro de 2023, após denúncias de assédio sexual que chegaram ao conhecimento do presidente Lula meses antes da repercussão na mídia.
Amigos de Anielle relataram que ela temia as consequências de uma denúncia, considerando o impacto que isso poderia ter no movimento negro, dado que Almeida era visto como uma referência. Em entrevista ao UOL, Almeida negou as acusações, sugerindo que Anielle poderia estar tentando desgastá-lo politicamente. Ele afirmou que a ministra “se perdeu no personagem” e insinuou que as denúncias poderiam ser parte de uma intriga contra ele.
A Polícia Federal já possui depoimentos de cinco vítimas e a investigação está em andamento, com expectativa de indiciamento. Almeida foi convocado a depor em fevereiro de 2024, e o prazo do inquérito foi prorrogado até abril. A situação continua a gerar discussões sobre assédio e suas implicações no contexto político brasileiro.
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