Um documento ultrassecreto de novembro de mil novecentos e sessenta e três revela que o então presidente da Câmara, Ranieri Mazzilli, expressou ao embaixador americano, Lincoln Gordon, sua desconfiança em relação às intenções do presidente João Goulart para o futuro do Brasil. O conteúdo, que foi censurado anteriormente, foi liberado na terça-feira, dia dezoito de […]
Um documento ultrassecreto de novembro de mil novecentos e sessenta e três revela que o então presidente da Câmara, Ranieri Mazzilli, expressou ao embaixador americano, Lincoln Gordon, sua desconfiança em relação às intenções do presidente João Goulart para o futuro do Brasil. O conteúdo, que foi censurado anteriormente, foi liberado na terça-feira, dia dezoito de outubro de dois mil e vinte e três, e faz parte de mais de dois mil documentos relacionados à investigação do assassinato do presidente americano John F. Kennedy.
O diálogo entre Mazzilli e Gordon ocorreu seis meses antes do golpe militar de trinta e um de março de mil novecentos e sessenta e quatro, que depôs Goulart. Na época, Mazzilli era o primeiro na linha sucessória da presidência. O arquivo revela que a CIA alertava sobre a instabilidade política no Brasil e temia que Goulart pudesse estabelecer um regime autoritário, buscando alianças com países comunistas, como Cuba e a União Soviética.
Além disso, documentos indicam que conselheiros americanos preferiam um golpe militar, já que Goulart não tomava medidas para eliminar a influência comunista em seu governo. Mazzilli relatou sua preocupação com a situação política ao embaixador, e seis meses após essa reunião, os militares depuseram Goulart. Mazzilli assumiu a presidência provisória por duas semanas até a posse do general Castelo Branco.
Historiadores, como Carlos Fico, afirmam que Gordon teve um papel crucial na articulação para derrubar Goulart, convencendo o Departamento de Estado dos EUA de que o presidente brasileiro representava uma ameaça. O professor Felipe Loureiro acrescenta que o principal objetivo dos EUA era a segurança nacional, temendo uma crescente esquerdização do Brasil sob Goulart. A CIA também monitorava conspirações contra o governo, embora algumas perderam força sem o apoio do general Pery Bevilacqua, que se opôs ao golpe.
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