Armas feitas em impressoras 3D, conhecidas como “armas-fantasmas”, estão se tornando um grande problema no Brasil. Entre 2024 e 2025, a Polícia Civil apreendeu várias dessas armas e fechou fábricas clandestinas, prendendo pessoas envolvidas na produção e venda para o crime organizado. Essas armas são difíceis de rastrear porque não têm número de série e podem ser perigosas nas mãos de extremistas. Em um caso, a polícia encontrou impressoras 3D e muitos carregadores de pistola em um apartamento em São Leopoldo, onde o material apreendido valia cerca de R$ 30 mil. Além disso, outras operações em diferentes estados também descobriram fábricas e manuais de instruções para a fabricação de armas. Especialistas alertam que, com a tecnologia, criminosos podem produzir partes mais simples e importar apenas as peças mais complicadas. Embora as organizações criminosas ainda prefiram armas desviadas do mercado, a facilidade de acesso a armas por grupos extremistas é uma preocupação crescente. Projetos para fabricar armas em 3D são frequentemente compartilhados nas redes sociais, e alguns desenvolvedores defendem o direito de acesso a essas armas com base em ideais libertários. A impressão dessas armas é considerada crime, mesmo que a pessoa tenha permissão para ter armas, pois elas não têm identificação e não seguem normas legais. A falta de legislação específica sobre a divulgação de projetos de armas na internet também é um ponto debatido por especialistas.
Armas-fantasmas: Aumento das Apreensões no Brasil
As armas feitas em impressoras 3D, conhecidas como “armas-fantasmas”, estão se tornando uma preocupação crescente no Brasil. Entre 2024 e 2025, a Polícia Civil apreendeu diversas armas 3D, fechou fábricas clandestinas e prendeu suspeitos envolvidos na produção e venda para o crime organizado.
As apreensões incluem fuzis, pistolas e outras peças fabricadas ilegalmente. Dois dos três casos registrados em 2025 ocorreram no Rio Grande do Sul, onde a polícia fechou duas fábricas clandestinas. Em março, quatro impressoras 3D foram encontradas em um apartamento em São Leopoldo, junto com 59 carregadores de pistola e insumos avaliados em R$ 30 mil.
O pesquisador Roberto Uchôa, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, destaca que a dificuldade em rastrear essas armas, que não possuem número de série, é um grande desafio. O delegado Tarcisio Lobato Kaltbach, da 1ª Delegacia de Polícia de Novo Hamburgo, afirma que essas armas têm a mesma letalidade de armamentos convencionais.
Fábricas e Suspeitos
Em janeiro, uma fábrica de armas-fantasmas foi descoberta em Portão, onde armamentos eram vendidos para o crime organizado. O principal suspeito, um homem de 23 anos, foi preso em flagrante. Em abril, a polícia cumpriu quatro mandados de prisão em São Leopoldo, Novo Hamburgo e Portão, visando outros membros da organização criminosa.
A Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Civil do Pará também apreenderam fuzis produzidos em impressoras 3D durante uma operação na BR-316, onde estavam sendo transportados junto a 53 quilos de skunk. Em 2024, outras operações em Santa Catarina, São Paulo e Goiás também encontraram armas-fantasmas e fábricas clandestinas.
A Ameaça dos Extremistas
Uchôa ressalta que a tecnologia das impressoras 3D facilita o acesso a armas por grupos extremistas. Um exemplo é a célula neonazista desmantelada em Santa Catarina, que discutia a fabricação de armas e planejava ataques. Projetos para fabricar armas em 3D são frequentemente publicados nas redes sociais, com defensores argumentando a favor do direito à posse de armas.
Um morador do Rio de Janeiro, conhecido como Zé Carioca, é um dos desenvolvedores que promoveu a arma Urutau, alegando que o direito de possuir armas é um direito humano fundamental. A primeira arma-fantasma, a pistola Liberator, surgiu em 2013, mas a tecnologia evoluiu, levando a um aumento no uso de armamentos impressos em 3D.
A professora de Direito da Fundação Getulio Vargas, Maíra Fernandes, afirma que imprimir uma arma configura um crime, pois essas peças não têm identificação e não são regulamentadas. A falta de legislação específica sobre a divulgação de projetos de armas na internet é uma preocupação crescente, já que a prática pode ser considerada uma violação do Estatuto do Desarmamento.
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