O governo dos Estados Unidos divulgou um relatório que diz não haver provas suficientes para apoiar tratamentos hormonais e cirúrgicos em adolescentes com disforia de gênero. O documento sugere que a psicoterapia deve ser a principal forma de tratamento, o que gerou controvérsia, pois alguns especialistas comparam essa abordagem a terapias de conversão, que são amplamente rejeitadas. O relatório também levanta preocupações sobre os riscos a longo prazo desses tratamentos, como a perda de fertilidade. A Academia Americana de Pediatria, que está revisando as evidências, defende os tratamentos de afirmação de gênero como eficazes para aliviar o sofrimento de jovens trans. A presidente da academia criticou o relatório, afirmando que ele distorce o consenso médico atual.
O governo federal dos Estados Unidos divulgou um relatório na quinta-feira (1º) que afirma não haver evidências científicas suficientes para justificar tratamentos hormonais e cirúrgicos em adolescentes com disforia de gênero. O documento prioriza a psicoterapia e levanta preocupações sobre os riscos a longo prazo dessas intervenções.
O relatório representa uma mudança significativa em relação às recomendações anteriores da agência e ao posicionamento de entidades médicas. Os autores do documento não foram identificados, e o Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS) anunciou que realizará uma revisão pós-publicação em breve. O texto não estabelece padrões médicos nem recomendações de política pública.
A análise se baseia em revisões científicas sobre bloqueadores de puberdade, terapias hormonais e cirurgias de redesignação sexual. O parecer conclui que os benefícios dessas intervenções são incertos, enquanto os riscos, como a perda de fertilidade, são mais concretos. A Academia Americana de Pediatria está conduzindo sua própria revisão e defende os tratamentos de afirmação de gênero como eficazes para aliviar o sofrimento psicológico de jovens trans.
Em janeiro, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva chamada “Protegendo Crianças da Mutilação Química e Cirúrgica”, que classificava os tratamentos de transição de gênero para menores como um “dano flagrante às crianças”. A presidente da Academia, Susan Kressly, criticou o relatório, afirmando que ele “deturpa o consenso médico atual” e prioriza opiniões em vez de uma análise imparcial das evidências.
Entre na conversa da comunidade