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Reforma do Código Civil pode excluir cônjuges do direito à herança no Brasil

Proposta de reforma do Código Civil pode excluir cônjuges da herança, alterando direitos de herdeiros necessários. Tramitação no Senado é incerta.

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Uma proposta de reforma do Código Civil brasileiro está em tramitação no Senado e pode mudar a forma como a herança é distribuída. Atualmente, cônjuges são considerados herdeiros necessários e não podem ser excluídos da herança em testamentos. A nova proposta, no entanto, sugere que cônjuges não sejam mais incluídos nessa categoria, permitindo que uma pessoa deixe seu parceiro fora do testamento. Isso significa que, se aprovada, uma pessoa poderá destinar toda a sua herança a outras pessoas ou instituições, sem precisar incluir o cônjuge. A proposta também menciona que herdeiros considerados vulneráveis podem receber uma parte da herança, mas há críticas sobre a falta de clareza em termos como “hipossuficientes”. O projeto, que foi elaborado por uma comissão de juristas, ainda está em fase inicial e pode passar por várias mudanças antes de ser aprovado.

Uma proposta de reforma do Código Civil brasileiro está em tramitação no Senado e pode alterar a definição de herdeiros necessários. O projeto permite que cônjuges sejam excluídos da herança em testamentos, algo atualmente proibido.

Atualmente, o Código Civil garante que cônjuges, ascendentes e descendentes são considerados herdeiros necessários, o que significa que não podem ser deserdados, exceto em casos específicos de indignidade. A nova proposta, no entanto, sugere que apenas ascendentes e descendentes sejam reconhecidos como herdeiros necessários, permitindo que o testador deixe o cônjuge fora da herança.

O artigo 1.845 do projeto afirma que “são herdeiros necessários os descendentes e os ascendentes”, sem mencionar os cônjuges. O advogado Ilmar Muniz explica que, com a nova configuração, uma pessoa pode dispor de todo seu patrimônio, deixando o cônjuge sem herança. Atualmente, a exclusão de um herdeiro necessário só é possível em situações específicas, como homicídio do autor da herança.

Críticas e Debates

A proposta gerou críticas entre especialistas. Silvia Felipe Marzagão, presidente da Comissão de Advocacia de Família e Sucessões da OAB-SP, considera que a retirada do cônjuge como herdeiro necessário é uma mudança significativa e que o texto foi elaborado rapidamente, sem amplo debate.

Além disso, a proposta introduz conceitos como herdeiros vulneráveis ou hipossuficientes, o que pode aumentar a interferência do Judiciário nas questões de herança. O projeto, que foi elaborado por uma comissão de 38 juristas, ainda está em fase inicial de tramitação e pode passar por alterações significativas antes de uma possível aprovação.

O autor da proposta, o senador Rodrigo Pacheco, criou uma comissão que inclui ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para revisar o Código Civil, que possui mais de dois mil artigos. A tramitação deve começar com a formação de uma comissão especial, mas ainda não há prazo definido para isso.

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