Henrique Machado, ex-diretor da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), foi responsável por um acordo que encerrou um processo de fraudes envolvendo R$ 49 milhões em debêntures do Banco Master, antes conhecido como Máxima. Após deixar a CVM, ele se tornou advogado do banco e participou de reuniões sobre casos em que esteve envolvido enquanto diretor, ignorando alertas sobre irregularidades. Durante seu tempo na CVM, Machado votou a favor de um acordo que permitiu ao banco evitar punições, mesmo com evidências de fraudes. Ele aceitou um compromisso que previa a devolução do dinheiro, mas até hoje os R$ 51 milhões não foram devolvidos aos investidores. Após cumprir um período de quarentena, Machado se juntou ao escritório Warde Advogados, que começou a defender o Banco Master. O escritório afirmou que ele foi contratado após cumprir todas as regras sobre conflito de interesses. O banco, por sua vez, não explicou por que o dinheiro ainda não foi devolvido.
O ex-diretor da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Henrique Machado, tornou-se advogado do Banco Master após deixar a autarquia. Ele foi responsável por um acordo que encerrou um processo de fraudes envolvendo R$ 49 milhões em debêntures da instituição, anteriormente chamada Máxima. O acordo foi fechado em dezembro de 2020, quando Machado ainda ocupava o cargo.
Após sua saída da CVM, em julho de 2021, Machado se tornou sócio do Warde Advogados, escritório que começou a atender o Banco Master. Desde junho de 2022, ele participou de reuniões relacionadas a processos em que esteve envolvido enquanto diretor, ignorando alertas técnicos sobre irregularidades. Dos 59 encontros que participou, 21 estavam diretamente ligados ao Master.
Machado deu um voto decisivo para o fechamento do acordo, mesmo com a recomendação contrária da equipe técnica da CVM. Os técnicos apontaram que o Master desviou recursos de debêntures para fundos ligados a seus diretores, sem remunerar os investidores. A corretora que atuava como agente fiduciário também tinha vínculos com a emissora das debêntures, configurando um conflito de interesses.
O acordo previa a restituição dos R$ 51 milhões, mas até hoje o valor não foi devolvido. O ex-diretor ignorou investigações em andamento que poderiam afetar o acordo. Em seu voto, ele afirmou que não havia materialidade suficiente para impedir a aceitação das propostas de compromisso. Após sua contratação pelo Warde Advogados, Machado participou de audiências sobre o caso, levantando questionamentos sobre a ética de sua atuação.
O Warde Advogados defendeu que Machado cumpriu o período de quarentena e as normas de conflito de interesses antes de assumir a defesa do Banco Master. O banco, por sua vez, não esclareceu por que os R$ 51 milhões ainda não foram devolvidos aos investidores.
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