O ex-comandante da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista Junior, confirmou em depoimento ao Supremo Tribunal Federal que Jair Bolsonaro discutiu um plano golpista para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva. Baptista Junior disse que participou de reuniões no Palácio da Alvorada, onde Bolsonaro falava sobre como se manter no poder. Ele também mencionou que o ex-comandante do Exército, Freire Gomes, ameaçou prender Bolsonaro caso o plano fosse colocado em prática, o que Freire Gomes negou. Além disso, Baptista Junior afirmou que o almirante Almir Garnier Santos ofereceu apoio militar a Bolsonaro, complicando a situação de ambos. O depoimento foi considerado importante para a investigação, especialmente por causa das contradições nas declarações dos militares. Baptista Junior também minimizou a participação do ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, nas reuniões sobre o plano. Ele destacou a necessidade de consenso nas Forças Armadas, ressaltando que a falta de acordo pode ser prejudicial para a instituição.
O ex-comandante da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista Junior, prestou depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 25 de outubro, confirmando a existência de uma suposta trama golpista liderada por Jair Bolsonaro para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva. O depoimento, considerado “esclarecedor” e “preciso”, trouxe novos desdobramentos à investigação.
Durante a oitiva, Baptista Junior relatou que participou de reuniões no Palácio da Alvorada, onde Bolsonaro discutiu um plano para manter-se no poder. Ele também mencionou que o ex-comandante do Exército, Freire Gomes, ameaçou Bolsonaro com prisão caso o plano fosse executado. “Se o senhor tiver que fazer isso, vou acabar lhe prendendo,” afirmou o brigadeiro, em contraste com a versão de Freire Gomes, que negou ter feito tal ameaça.
Confirmações e Implicações
O ex-comandante da Aeronáutica destacou que o almirante Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha, ofereceu as tropas à disposição de Bolsonaro. Baptista Junior enfatizou que “a Marinha tem 14 mil fuzileiros,” referindo-se ao apoio militar que poderia ser mobilizado. Essa confirmação complica a situação tanto de Bolsonaro quanto de Garnier, que já enfrentam investigações.
O depoimento de Baptista Junior foi visto como um ponto crucial para a investigação, especialmente após as contradições apresentadas por Freire Gomes. Ministros do STF elogiaram a seriedade do brigadeiro, que se mostrou firme e coerente em suas declarações. A divergência nas versões dos altos comandos militares pode ter repercussões significativas para a estabilidade institucional do Brasil.
Desdobramentos da Investigação
Além de incriminar Bolsonaro e Garnier, Baptista Junior também “aliviou” a situação do ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, ao retificar sua participação em reuniões sobre a trama golpista. O ex-comandante afirmou que não tinha certeza sobre a presença de Torres em discussões que buscavam justificar medidas de exceção.
A audiência foi marcada por um clima de tensão, refletindo a gravidade das acusações. Baptista Junior reiterou a importância de um consenso nas Forças Armadas, afirmando que “nada pode ser tão pior para as Forças Armadas que não ter uma postura de consenso.” O depoimento é um passo importante para esclarecer os eventos que cercaram a transição de governo e as ameaças à democracia brasileira.
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