Nos últimos anos, as Semanas do Clima em Panamá têm sido um espaço importante para discutir as questões ambientais do governo. Recentemente, o governo de José Raúl Mulino anunciou que está avaliando a exploração de petróleo e gás no mar Caribe, o que gerou protestos de ambientalistas e pescadores. Essa informação não foi divulgada amplamente, sendo mencionada apenas em uma conferência nos Estados Unidos e em uma postagem nas redes sociais da Secretaria Nacional de Energia. Grupos como a União de Pescadores Artesanais Bocatoreños criticam a falta de consulta e planejamento, afirmando que isso prejudica seus direitos. A Secretaria de Energia afirmou que a avaliação está em fase técnica e que não há novos estudos sendo realizados. Apesar disso, a intenção de explorar hidrocarbonetos levanta preocupações sobre os impactos ambientais, especialmente em uma região que já é protegida. Ambientalistas alertam que essa exploração pode prejudicar a biodiversidade marinha e contradizer os esforços do Panamá em se posicionar como um líder em conservação ambiental.
As Semanas do Clima em Panamá, um evento que reúne mais de mil participantes de 198 países, se tornaram um espaço para discutir as contradições ambientais do governo. Recentemente, o governo de José Raúl Mulino anunciou a possibilidade de explorar hidrocarbonetos no mar Caribe, gerando protestos de ambientalistas e pescadores.
A diretora executiva do Centro de Incidência Ambiental de Panamá (CIAM), Lilian González Guevara, destacou que a informação sobre a exploração não foi divulgada publicamente. O secretário de Energia, Juan Manuel Urriola, mencionou a exploração em uma conferência em Texas, e a única menção foi feita em uma postagem no Instagram da Secretaria Nacional de Energia.
A postagem indicou que os estudos sísmicos para a extração de petróleo e gás ao norte de Colón já foram concluídos e estão em avaliação. Ambientalistas criticam a incoerência do governo em promover a proteção dos oceanos enquanto considera a exploração de recursos. Marta Machazek, presidente da União de Pescadores Artesanais Bocatoreños, afirmou que não houve consulta pública e que isso viola os direitos dos pescadores.
A Secretaria Nacional de Energia esclareceu que a avaliação é uma análise técnica de dados sísmicos existentes, sem novos estudos. A administração atual está revisando informações geofísicas obtidas entre 2017 e 2018. Apesar de rumores sobre a consultoria da Ecopetrol, a Secretaria negou qualquer acordo formal, afirmando que existem apenas trocas informativas entre autoridades.
A exploração de hidrocarbonetos no Caribe é vista como uma tentação perigosa, especialmente em um contexto de crise climática. A região de Coiba, no Pacífico, é parte de um corredor marinho com alta biodiversidade. A pressão por exploração pode comprometer ecossistemas vitais. Em 2024, Panamá ratificou o Tratado de Alta Mar e se comprometeu a evitar a mineração em fundos marinhos.
González enfatizou a necessidade de alertar sobre projetos que possam causar danos ecológicos e aumentar a tensão social, especialmente em um momento em que a luta climática deveria ser a prioridade.
Entre na conversa da comunidade