O delegado Carlos Henrique Cotait foi afastado da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) após uma investigação sobre sua ligação com um hacker, que atuou em ações policiais. O hacker, que estava morando na Sérvia, prestou depoimento afirmando que foi contratado pela prefeita de Bauru, Suéllen Rosim, para espionar uma vereadora de oposição e um jornalista crítico à sua gestão. A Polícia Federal confirmou que a rede social da vereadora foi hackeada. O depoimento revelou que um escrivão da equipe de Cotait indicou os serviços do hacker a um assessor da prefeita. A situação levou a uma nova investigação sobre Cotait, que já enfrentava problemas devido ao uso de serviços ilegais do hacker em uma operação anterior. Após a repercussão negativa, o secretário de Segurança Pública decidiu afastá-lo. Cotait, por sua vez, começou a investigar o hacker e um jornalista que colaborou com uma reportagem sobre o caso, resultando em mandados de busca na casa do jornalista. Durante a busca, foram encontrados diálogos que mostravam a relação entre o jornalista e o hacker, o que levou a uma acusação de obstrução de justiça contra o jornalista, apesar de não haver evidências claras. A defesa do jornalista e de sua fonte argumentou que a investigação era uma tentativa de intimidar o trabalho jornalístico. A situação gerou críticas sobre a violação da liberdade de imprensa e o uso indevido do poder policial.
O delegado Carlos Henrique Cotait foi afastado da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) em agosto de 2024. A decisão do secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, ocorreu em meio a uma investigação sobre a relação de Cotait com um hacker, Patrick César da Silva Brito, que prestou depoimento afirmando ter sido contratado pela prefeita de Bauru, Suéllen Rosim, para espionar uma vereadora de oposição.
A investigação sobre Cotait começou em 2020, quando surgiram denúncias de que ele utilizava serviços ilegais do hacker em ações policiais, como na Operação Raio X. A operação visava desvios na área da saúde em quatro estados. A relação entre Cotait e o hacker foi revelada em uma reportagem da revista piauí, que detalhou como Brito invadiu dispositivos eletrônicos a mando do delegado e de sua equipe.
Recentemente, o hacker afirmou que o escrivão Felipe Pimenta, ligado a Cotait, o indicou para a prefeita de Bauru. A Polícia Federal confirmou que a rede social da vereadora Estela Almagro foi hackeada em janeiro de 2022. A Câmara de Vereadores de Bauru iniciou uma investigação sobre o uso de serviços de hacker pela prefeita, o que levou ao afastamento de Cotait.
A sindicância sobre a conduta do delegado foi transferida para São Paulo para evitar interferências. Cotait, insatisfeito com a situação, intensificou sua atuação contra o hacker e a piauí, resultando em mandados de busca e apreensão na casa do jornalista Roberto Alexandre dos Santos, que colaborou com a reportagem. A investigação contra Santos, que envolveu um diálogo com um membro do Primeiro Comando da Capital (PCC), foi criticada como uma tentativa de intimidação ao trabalho jornalístico.
A assessoria da Secretaria de Segurança Pública afirmou que todas as diligências foram conduzidas legalmente e reafirmou o compromisso com a liberdade de imprensa. A presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) destacou indícios de violação da atividade profissional, ressaltando que a polícia não pode usar seu poder para intimidar jornalistas.
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