Desde janeiro de 2024, a Argentina, sob a presidência de Javier Milei, apresenta superávit fiscal pela primeira vez na história, após cortes drásticos nos gastos públicos. A medida visa combater a inflação, que caiu de 210% para 47,3% ao ano. Contudo, essa política gerou demissões em massa no setor público e protestos de diversos grupos, […]
Desde janeiro de 2024, a Argentina, sob a presidência de Javier Milei, apresenta superávit fiscal pela primeira vez na história, após cortes drásticos nos gastos públicos. A medida visa combater a inflação, que caiu de 210% para 47,3% ao ano. Contudo, essa política gerou demissões em massa no setor público e protestos de diversos grupos, incluindo médicos, pessoas com deficiência, cientistas e aposentados.
Os economistas reconhecem que a correção fiscal foi essencial para a redução da inflação. O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a inflação caia para 35,9% em 2025 e que o PIB argentino cresça 5,5%, superando a média da América Latina. Entretanto, o custo social é elevado, com cerca de 10% dos funcionários públicos perdendo seus empregos e a infraestrutura do país deteriorando-se devido à falta de investimentos.
Protestos em Massa
Os protestos se intensificaram, especialmente em frente ao Congresso. Médicos do Hospital Garrahan, referência em saúde pediátrica, denunciam a desfinanciamento da instituição. Os residentes do hospital afirmam que seus salários, abaixo da linha da pobreza, forçaram muitos a deixar o serviço público. O governo propôs um aumento salarial, mas a insatisfação persiste.
Outro grupo afetado são as famílias de pessoas com deficiência. O governo suspendeu milhares de aposentadorias por incapacidade, alegando fraudes. As famílias argumentam que essa medida visa reduzir o financiamento da Agência Nacional para Pessoas com Deficiência (Andis). Protestos conjuntos com os médicos ocorreram, buscando pressionar o governo a garantir direitos e recursos adequados.
Crise na Ciência e Aposentadorias
A ciência também sofre com os cortes. O Ministério de Ciência e Tecnologia teve seu quadro reduzido pela metade, levando a uma perda significativa de empregos. Cientistas alertam para um “cientificídio”, com salários caindo em termos reais. A mobilização de cientistas, que se vestiram de “eternautas”, destaca a gravidade da situação.
Os aposentados enfrentam perdas significativas. O sistema previdenciário, que representa o maior gasto estatal, foi severamente afetado. A perda do poder aquisitivo das aposentadorias contribuiu para o ajuste fiscal. Protestos semanais em frente ao Congresso buscam pressionar por aumentos e a prorrogação da moratória previdenciária, mas o governo já sinalizou que vetará qualquer aumento.
A situação na Argentina reflete um dilema entre a correção fiscal e o custo social das políticas implementadas por Milei.
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