Um pesquisador biomédico saudita, identificado como Omar, recorreu a práticas antiéticas para aumentar sua produção acadêmica. Em março, ele solicitou coautorias em artigos de inteligência artificial (IA) e medicina em um grupo privado no Facebook, oferecendo pagamento. Omar, professor assistente em uma universidade da Arábia Saudita, publicou 20 artigos em 2024, um aumento significativo em […]
Um pesquisador biomédico saudita, identificado como Omar, recorreu a práticas antiéticas para aumentar sua produção acadêmica. Em março, ele solicitou coautorias em artigos de inteligência artificial (IA) e medicina em um grupo privado no Facebook, oferecendo pagamento. Omar, professor assistente em uma universidade da Arábia Saudita, publicou 20 artigos em 2024, um aumento significativo em relação aos dois do ano anterior. Para ser promovido, ele precisava de pelo menos dez publicações adicionais em periódicos de alto impacto.
Omar não é um caso isolado. A pressão para publicar frequentemente tem levado muitos pesquisadores a buscar serviços de “paper mills”, empresas fraudulentas que oferecem coautorias e outros serviços relacionados à publicação. Essas organizações exploram a necessidade de pesquisadores que, como Omar, não conseguem ou não querem realizar a pesquisa necessária. Ele mencionou que pagou até R$ 20,00 por um artigo e que não se importava com a posição na lista de autores.
A demanda por esses serviços é crescente, especialmente em países como a China, onde a pressão para publicar é intensa. Gengyan Tang, pesquisador na Universidade de Calgary, observou que nurses na China também recorrem a paper mills, que promovem seus serviços diretamente em hospitais. A análise de dados de retratações de artigos científicos revelou que sete das dez instituições com mais retratações estão localizadas na China.
A indústria de paper mills é estimada em centenas de milhões de dólares anualmente. Anna Abalkina, pesquisadora da Universidade Livre de Berlim, destaca que a pressão para publicar e a crescente quantidade de pesquisadores são fatores que alimentam esse mercado. A manipulação de revisões e a venda de coautorias são práticas comuns, e a integridade acadêmica está em risco.
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