- O presidente da Argentina, Javier Milei, anunciou a reestruturação da Agência Nacional de Promoção da Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação.
- O decreto, publicado recentemente, limita a autonomia da agência e prioriza a transferência tecnológica.
- A nova norma reduz a direção da agência de 11 para três pessoas, todas nomeadas pelo governo.
- Cientistas e pesquisadores protestam, alegando que a medida compromete a pluralidade e o federalismo na pesquisa científica.
- As reformas de Milei também impactam os setores de saúde e educação, com cortes significativos no orçamento das universidades públicas e condições precárias para médicos residentes.
Javier Milei, presidente da Argentina, anunciou a reestruturação da Agência Nacional de Promoção da Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação. O decreto, publicado nesta sexta-feira, visa limitar a autonomia da agência e priorizar a transferência tecnológica, gerando forte reação entre cientistas e pesquisadores.
Com a nova norma, a agência terá sua direção reduzida de 11 para apenas três pessoas, todas nomeadas pelo governo. O objetivo declarado é impulsionar a inovação tecnológica em áreas consideradas prioritárias para a economia do país. O porta-voz presidencial, Manuel Adorni, afirmou que projetos com “utilidade duvidosa” não serão mais aceitos, o que levanta preocupações sobre a exclusão de pesquisas relevantes para a sociedade.
Mais de 340 institutos de ciência no país estão em estado de alerta, denunciando um “cientificídio” em curso. A Rede Argentina de Autoridades de Institutos de Ciência e Tecnologia (RAICYT) criticou a medida, afirmando que a redução da direção comprometerá a pluralidade e o federalismo na pesquisa científica. A falta de recursos já resultou na perda de mais de 4.000 empregos no setor, com um êxodo crescente de jovens pesquisadores.
Além disso, as reformas de Milei afetam também os sistemas de saúde e educação. O orçamento das universidades públicas caiu cerca de 30% desde o início de seu governo, levando reitores e estudantes a pressionar por uma lei de financiamento especial. No setor de saúde, médicos residentes enfrentam condições precárias, com salários congelados e uma proposta de reforma que os tornaria menos protegidos.
As mudanças na agência de pesquisa são vistas como parte de uma estratégia mais ampla de controle sobre o sistema científico argentino, que já enfrenta cortes severos e uma crise de financiamento. O debate sobre a situação crítica da ciência e da educação no país continua, com a expectativa de novos desdobramentos nas próximas semanas.
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