- O tenente-coronel Mauro Cid prestou novo depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) em treze de novembro.
- Cid confirmou acusações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmando que ele recebeu e sugeriu mudanças na minuta do golpe de Estado de 2022.
- O ex-ajudante de ordens revelou que Bolsonaro pressionou o então ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, por um relatório que questionasse a integridade das urnas eletrônicas.
- Cid mencionou o general Walter Souza Braga Netto como intermediário entre Bolsonaro e os acampamentos golpistas, afirmando ter recebido recursos dele.
- O depoimento é considerado crucial para as investigações sobre a tentativa de desestabilização do governo, que envolve 23 réus.
O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, prestou novo depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira, 13 de novembro. O interrogatório faz parte de três ações penais que investigam a tentativa de golpe de Estado em 2022. Cid, que já havia sido ouvido em junho, trouxe informações adicionais após firmar um acordo de delação premiada com a Polícia Federal.
Durante o depoimento, Cid confirmou a veracidade das acusações contra Bolsonaro, afirmando que o ex-presidente recebeu e sugeriu alterações na minuta do golpe, que previa medidas autoritárias para reverter o resultado das eleições. Segundo Cid, Bolsonaro pediu a remoção de trechos que previam a prisão de autoridades, incluindo o ministro Alexandre de Moraes, que presidia o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na época.
O ex-ajudante de ordens também revelou que Bolsonaro pressionou o então ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, por um relatório que questionasse a lisura das urnas eletrônicas. Cid confirmou que o relatório das Forças Armadas não encontrou fraudes, mas não descartou a possibilidade de falhas. Ele afirmou que Bolsonaro queria um documento “duro” contra as urnas e que, após as eleições, o ministro desmarcou uma reunião no TSE por pressão do ex-presidente.
Conexões e Financiamentos
Cid mencionou o general Walter Souza Braga Netto como um elo entre Bolsonaro e os acampamentos golpistas em frente aos quartéis. Ele afirmou ter recebido recursos de Braga Netto, que foram entregues a um major do Exército, e que o dinheiro estava em uma caixa de vinho. Cid também destacou que Braga Netto fazia parte de um grupo que pressionava Bolsonaro a agir em relação ao resultado das eleições.
O depoimento de Cid é considerado crucial para elucidar as responsabilidades na trama golpista, que envolve 23 réus. A colaboração dele com a Justiça pode ser determinante para o andamento das investigações e a responsabilização dos envolvidos. O STF continua a ouvir testemunhas e a investigar os desdobramentos da tentativa de desestabilização do governo em 2022.
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