- Médicos de família e comunidade estão sendo demitidos das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) em São Paulo por não aceitarem a ampliação da carga horária para 40 horas semanais.
- Desde 2024, o Ministério da Saúde condiciona o repasse integral de R$ 18 mil por UBS à adoção dessa nova jornada.
- Atualmente, esses profissionais trabalham apenas 20 horas por semana na capital paulista.
- A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) pressiona as Organizações Sociais de Saúde (OSS) para que tomem decisões rápidas, resultando em demissões já em andamento.
- O Sindicato dos Médicos do Estado de São Paulo (Simesp) critica a reestruturação, afirmando que ela desconsidera a carga de trabalho e o vínculo dos médicos com a comunidade.
Médicos de família e comunidade estão sendo desligados das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) em São Paulo devido à recusa em aceitar a ampliação da jornada de trabalho para 40 horas semanais. Desde 2024, o Ministério da Saúde condiciona o repasse integral de R$ 18 mil por UBS à adoção dessa carga horária. Atualmente, na capital paulista, esses profissionais atuam apenas 20 horas por semana.
A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) busca adequar a carga horária para garantir o recebimento total da verba federal. O Simesp (Sindicato dos Médicos do Estado de São Paulo) relata que a prefeitura tem pressionado as Organizações Sociais de Saúde (OSS) para que tomem decisões rápidas, resultando em demissões já em andamento. A Secretaria Municipal de Saúde confirma a intenção de seguir a normativa federal, afirmando que os médicos podem manter seus postos se aceitarem a nova carga horária.
A resistência dos médicos se deve ao fato de muitos já atuarem em clínicas ou hospitais. Profissionais ouvidos destacam que as OSS têm adotado diferentes abordagens, como ultimatos para aceitação da mudança ou demissões sem opção. As equipes, que antes contavam com dois médicos de 20 horas, estão sendo substituídas por um único profissional com jornada de 40 horas.
Impacto na Comunidade
Os médicos de família desempenham um papel crucial na atenção primária, acompanhando pacientes em todas as fases da vida. O Simesp critica a reestruturação proposta, afirmando que desconsidera a carga de trabalho e o vínculo desses profissionais com a comunidade. Muitos médicos estão há mais de dez anos nas equipes, e a mudança é vista como uma demissão em massa disfarçada.
A reestruturação começou nas zonas sul e leste e agora se estende à zona oeste. A Associação Paulista de Medicina de Família e Comunidade estima que pelo menos 63 médicos estão sob risco de desligamento em postos administrados pela SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina). A entidade aguarda orientações da Secretaria Municipal de Saúde para tratar da situação dos profissionais.
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