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Exército é acusado de elaborar plano para prisão de ministros do STF, afirma militar

Tenente-coronel Hélio Ferreira Lima nega plano golpista e classifica documento como estudo hipotético, mas PGR vê indícios de articulação.

Tenente-coronel Hélio Ferreira Lima era oficial de inteligência da 6ª Divisão do Exército, no Rio Grande do Sul (Foto: Exército Brasileiro)
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  • O tenente-coronel Hélio Ferreira Lima é réu em uma ação penal por tentativa de golpe de Estado.
  • Durante depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), ele afirmou que um documento encontrado era um estudo hipotético e não um plano concreto.
  • O material, chamado “Desenho Operacional Luneta”, foi elaborado para antecipar cenários de possíveis fraudes nas eleições de 2022.
  • Ferreira Lima alegou que o plano foi abandonado após mudanças de prioridade em sua unidade e não tinha intenção de agir contra ministros do STF.
  • A Procuradoria-Geral da República (PGR) discorda, considerando o documento uma evidência de planejamento para ações golpistas.

O tenente-coronel Hélio Ferreira Lima, réu em uma ação penal por tentativa de golpe de Estado, declarou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o documento encontrado pela Polícia Federal, que previa a prisão de ministros da corte, era um estudo hipotético e não um plano concreto. Durante seu depoimento, Ferreira Lima, que atuava na inteligência da 6ª Divisão do Exército em Porto Alegre, afirmou que o material, intitulado “Desenho Operacional Luneta”, foi elaborado para antecipar cenários em caso de indícios de fraude nas eleições de 2022.

O tenente-coronel explicou que o documento tinha como objetivo preparar seu comandante para possíveis situações, afirmando: “Se amanhã sair um relatório ou um pronunciamento falando ‘atenção, teve fraude sim’, eu não posso deixar meu comandante ser surpreendido.” Ferreira Lima alegou que o plano foi abandonado rapidamente após uma mudança de prioridades por parte de seu superior, o que, segundo ele, não o tornava um projeto de ação real.

Interpretação da PGR

A Procuradoria-Geral da República (PGR) discorda da interpretação do tenente-coronel, considerando o documento uma evidência de planejamento para ações golpistas. A denúncia da PGR sugere que o material reflete uma articulação mais ampla, que inclui a contestação do resultado eleitoral e ações de ruptura institucional. Ferreira Lima, que é parte do grupo conhecido como “kids pretos”, negou que suas interações com Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência, tivessem conotações golpistas.

O tenente-coronel enfatizou que o documento não foi validado por seus superiores e que não tinha intenção de implementar ações contra os ministros do STF. Ele reiterou que a elaboração do material estava dentro de suas atribuições, uma vez que sua função exigia a análise de possíveis desdobramentos futuros. Ferreira Lima é um dos vários militares e um policial federal que prestaram depoimento ao STF, todos acusados de integrar o núcleo operacional da suposta trama golpista.

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