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Conflito de décadas impacta profundamente a vida dos indígenas na Colômbia

Família Valencia realiza rituais de harmonização após encontrar corpo de María Emma, desaparecida há mais de 14 anos na Colômbia

Ramiro e Mercedes Valencia seguram um retrato de sua filha María Emmana Vereda El Cóndor, na zona rural de Santander de Quilichao, província de Cauca, na Colômbia (Foto: Lalo de Almeida/Folhapress)
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  • A família Valencia, da etnia nasa, encontrou o corpo de María Emma, desaparecida desde 1998, em um cemitério sem identificação.
  • A busca durou mais de 14 anos e foi apoiada pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha.
  • A casa da família, no departamento de Cauca, simboliza a violência na região, onde a repressão paramilitar e a presença de guerrilhas afetaram comunidades indígenas.
  • Lucía, uma das filhas, liderou a busca após a morte de María Emma, que foi recrutada aos 17 anos.
  • Um ano após a confirmação da identidade, a família realizou rituais de harmonização para lidar com a dor causada pela guerra.

A família Valencia, da etnia nasa, finalmente encontrou o corpo de María Emma, desaparecida desde 1998, após um longo e doloroso processo de busca. A descoberta ocorreu em um cemitério em outra cidade, onde o corpo estava sem identificação. A busca, que durou mais de 14 anos, foi auxiliada pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha.

A casa da família, localizada no departamento de Cauca, é um símbolo da violência que assola a região. Nos anos 1990, a repressão paramilitar e a presença de guerrilhas transformaram a vida dos indígenas, desestruturando suas tradições. Dois dos filhos de Ramiro e Mercedes Valencia foram levados por grupos armados, um retornou após o acordo de paz de 2016, enquanto outro morreu.

Lucía, uma das filhas, liderou a busca por María Emma, que foi recrutada aos 17 anos. Em 2007, ela teve uma breve visita à família, mas não pôde ficar. Em 2008, a notícia de sua morte chegou, mas o corpo nunca foi devolvido, deixando a família em um luto sem fechamento.

Após anos de incerteza, Lucía contatou a Cruz Vermelha em 2017, que ajudou a localizar o corpo. O processo de busca é complexo, envolvendo informações de diversos atores e a geografia difícil do país. Liliana Álvarez, forense da Cruz Vermelha, destaca que a preservação dos corpos varia conforme as condições ambientais e o modo de sepultamento.

Rituais de Harmonização

Um ano após a confirmação da identidade de María Emma, a família realizou rituais de harmonização para lidar com a dor e a desarmonia causadas pela guerra. Efrén Tombé, líder nasa, explica que a morte violenta gera um desequilíbrio espiritual. Os indígenas realizam cerimônias para restaurar a harmonia, utilizando elementos como folhas de coca e ervas.

Embora o acordo de paz de 2016 tenha trazido esperanças, os impactos do conflito permanecem. A busca por desaparecidos continua a ser uma realidade dolorosa para muitas famílias na Colômbia. A história da família Valencia é um reflexo da luta e da resiliência de comunidades afetadas pela violência armada.

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