- Os crimes de ódio contra a comunidade LGBT+ na Argentina aumentaram 70% no primeiro semestre de 2025, com 102 ataques registrados.
- O Observatório Nacional de Crimes de Ódio LGBT+ destacou que as mulheres trans são as mais afetadas, representando 70,6% das vítimas.
- Em comparação com o mesmo período de 2024, quando ocorreram 60 casos, a situação se agravou.
- A cidade de Buenos Aires concentra 60,8% dos casos de violência, evidenciando a gravidade do problema na capital.
- O discurso hostil do presidente Javier Milei, que caracteriza a comunidade LGBT+ como um “inimigo social”, está associado ao aumento da violência.
Os crimes de ódio contra a comunidade LGBT+ na Argentina aumentaram 70% no primeiro semestre de 2025, com 102 ataques registrados, segundo o Observatório Nacional de Crimes de Ódio LGBT+. Este crescimento alarmante destaca a vulnerabilidade das mulheres trans, que representam 70,6% das vítimas.
O relatório, divulgado nesta segunda-feira, revela que, em comparação com os 60 casos registrados no mesmo período de 2024, a situação se agravou. Os homens gays foram os segundos mais afetados, com 16,7% das vítimas, seguidos por lésbicas (6,9%), homens trans (4,9%) e pessoas não binárias (1%). Entre os ataques, 16,7% referem-se a violações do direito à vida, enquanto 83,3% envolvem agressões físicas.
Contexto Político
A análise dos dados aponta que esses números não podem ser dissociados do contexto político atual. O presidente argentino, Javier Milei, tem promovido um discurso hostil em relação ao coletivo LGBT+, caracterizando-o como um “inimigo social”. Durante 2024 e 2025, Milei descreveu feminismos e a “ideologia de gênero” como “vírus mentais” que ameaçam a civilização ocidental.
Em um discurso no Fórum Econômico de Davos, o presidente atacou o “feminismo radical” e a “ideologia progressista”, referindo-se a eles como um “câncer”. Essas declarações provocaram mobilizações massivas de repúdio em várias cidades do país, com milhares de pessoas se manifestando contra a retórica discriminatória.
Concentração dos Casos
A cidade de Buenos Aires concentra 60,8% dos casos de violência, refletindo a gravidade da situação na capital. O relatório enfatiza a necessidade de uma resposta efetiva e de políticas públicas que protejam a comunidade LGBT+ e promovam a inclusão, em um cenário onde a violência e a discriminação estão em ascensão.
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