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Bolívia elege nova direita e sinaliza fim do ciclo populista na política nacional

O Movimento ao Socialismo enfrenta seu maior revés em duas décadas, enquanto a Bolívia busca novas soluções para a crise econômica e política

Candidatos à presidência da Bolívia Rodrigo Paz (à esq.) e Jorge Quiroga (Foto: AFP)
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  • O Movimento ao Socialismo (MAS) não avançou para o segundo turno nas eleições de 17 de setembro de 2023, após 20 anos de domínio na Bolívia.
  • O candidato do MAS, Eduardo del Castillo, obteve apenas 3,2% dos votos.
  • Rodrigo Paz, do Partido Democrata Cristão, e Jorge Quiroga, da Aliança Livre, disputarão o segundo turno, com 31,6% e 27,1% dos votos, respectivamente.
  • A crise econômica, com inflação anual de 23,96% e aumento da dívida pública para 95% do PIB, contribuiu para o descontentamento social.
  • A fragmentação interna do MAS e a falta de representantes no Congresso indicam uma nova configuração política no país.

O resultado das eleições de 17 de setembro de 2023 na Bolívia marca o fim de um ciclo de 20 anos de domínio do Movimento ao Socialismo (MAS), liderado por Evo Morales. Pela primeira vez, o MAS não avançou para o segundo turno, com seu candidato, Eduardo del Castillo, recebendo apenas 3,2% dos votos. O segundo turno será disputado entre Rodrigo Paz, do Partido Democrata Cristão, e Jorge Quiroga, da Aliança Livre, que obtiveram 31,6% e 27,1%, respectivamente.

Essa mudança no cenário político reflete um descontentamento social crescente, exacerbado por uma grave crise econômica. A inflação anual, que era de 0,77% em março de 2022, disparou para 23,96% em 2023, o maior índice em 34 anos. A escassez de bens essenciais e o aumento da dívida pública, que saltou para 95% do PIB, são consequências diretas da gestão do MAS.

Crise e Desgaste do MAS

O desgaste do MAS é atribuído a fatores como a divisão interna e a incapacidade de enfrentar a crise econômica. A fragmentação do partido, que chegou às eleições com três candidaturas, resultou em um desempenho abaixo do esperado. O MAS não elegeu representantes para o Congresso, o que abre espaço para novas alianças políticas.

Rodrigo Paz, em seu discurso após a vitória, destacou a necessidade de estabilização política e econômica. Ele prometeu promover a reconciliação e a produção no país. Por outro lado, Jorge Quiroga enfatizou a importância de uma democracia que respeite a diversidade política.

O Legado de Evo Morales

Evo Morales, que governou de 2005 a 2019, deixou um legado controverso. Sua administração, inicialmente marcada por políticas sociais e crescimento econômico, enfrentou críticas por corrupção e autoritarismo. A revelação de um relacionamento com uma executiva de uma empresa chinesa e as acusações de estupro e tráfico humano mancharam sua imagem.

Os resultados das eleições de 2023 indicam uma mudança significativa no cenário político boliviano. A ascensão de novos candidatos sugere uma busca por alternativas ao modelo de governo do MAS, que, segundo analistas, pode ter esgotado suas possibilidades. A Bolívia agora se prepara para um novo capítulo, onde a necessidade de um ajuste fiscal se torna urgente, independentemente de quem vença no segundo turno.

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